Ficando para trás

“Dívida interna se administra.
O que não podemos ter é dúvida
interna” Luiz Carlos Trabuco Cappi

Por ocasião da abertura da Convenção Secovi 2020, o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, e o presidente do Secovi-SP, Basilio Jafet, analisaram detalhadamente as perspectivas da economia nacional. Na avaliação de Trabuco, “o pior está ficando para trás”, afirmação respaldada pelo prognóstico de menor queda no PIB, conforme Boletim Focus, do Banco Central.


“As previsões deixaram de piorar. Há três meses, o clima era de medo e insegurança; a sensação era de que o mundo havia parado. Agora, os mercados estão reagindo. E o resiliente setor imobiliário será a forte locomotiva da retomada”, afirmou o representante do Bradesco.


O presidente do Secovi-SP, Basilio Jafet, salientou que a crise sanitária atingiu de forma desigual diferentes setores. Enquanto o Agrobusiness está bem, o segmento de serviços sofre. “São desequilíbrios nada saudáveis, que só o tempo e a adaptação ao novo cenário poderão minimizar.”

A questão do combate à pandemia em âmbito internacional foi objeto de aprofundados debates. Conforme Jafet, as nações optaram por respostas individualizadas, ao invés de uma ação colaborativa. A ONU, apesar de sua experiência de 75 anos, revelou-se impotente. Tanto quanto a OMS. A ausência de coordenação entre os países pode trazer retrocesso à economia globalizada. “No Brasil, a falta de articulação entre os entes públicos somou a crise sanitária com as crises econômica e política”. Para Trabuco, os organismos multilaterais deixaram a desejar. “Faltou consenso. Independentemente de partidarismo, precisamos virar a página da covid-19.”

O grave problema do déficit fiscal, agravado pela pandemia, é algo que exige responsabilidade de todos. “Dívida interna se administra. O que não podemos ter é dúvida interna. O problema não é o tamanho da dívida, mas a possível falta de credibilidade. Sem um teto para os gastos públicos, a casa cai. Será uma marcha à ré na história. Nos anos 90, ousamos acreditar numa inflação baixa duradoura, a qual hoje comemoramos. Agora, temos os juros baixos. Mas será que vieram para ficar?”, questionou Luiz Trabuco. “É por isso que fica difícil entender a posição de muitos economistas contra o teto de despesas”, considerou Jafet.

O ciclo de juros baixos cria oportunidade rara para o Brasil, que pode proporcionar taxa de retorno em infraestrutura e saneamento básico, o que é fundamental para a habitação e a qualidade do meio urbano.

“Ninguém pode dormir tranquilo sabendo que 100 milhões de brasileiros não têm saneamento. É hora de dar soluções privadas para problemas públicos. O mundo está atolado em liquidez. Pelo menos 30% dos investidores em fundos estão com rentabilidade negativa. Se fizermos a coisa certa, são recursos que podem vir para essas áreas no País”, asseverou Trabuco. “O recém-aprovado marco legal do saneamento básico, se bem regulamentado, é porta de entrada para esse capital. O Brasil tem cada vez mais as características de uma economia de mercado e o setor privado tem de participar ativamente das discussões da política econômica”, adicionou Jafet.

Duas reformas estruturais foram amplamente discutidas. Sobre a tributária, ambos defenderam o não aumento de impostos e sua simplificação. No tocante à reforma administrativa, “precisamos de um Estado eficiente, que caiba no bolso da arrecadação”, definiu Trabuco.

O debate focalizou vários outros temas, como meio ambiente, privatizações e atuação dos bancos na pandemia.

São Paulo, 23 de setembro de 2020

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