Mudanças de hábitos

Mauro Pincherle*

Experimentamos mudanças radicais na formas de viver e de ver a vida. Muitos conceitos sendo revisados, como o de ter ou não ter carro próprio e garagem. No que se refere aos automóveis, várias são as manifestações sobre as mudanças de hábitos. Exemplos:

  • As novas formas de se locomover nas cidades, com a existência dos aplicativos, uso de bicicletas (motorizadas ou não) e a novidade dos patinetes elétricos;
  • O brutal aumento do número de locações de veículos por curto período;
  • A ampliação das redes ferrometroviárias de transporte público e das faixas de uso exclusivo para transporte coletivo;
  • A redução de quase 1/3 na emissão da primeira CNH, relatada pelo Detran-SP, na faixa etária entre 18 e 25 anos;
  • A iminente proibição da circulação de veículos individuais nos centros das grandes cidades do mundo;
  • Os automóveis autônomos já em funcionamento;
  • As experiências com os veículos voadores, sejam drones ou outros que nem conseguimos imaginar no momento.

A pesquisa “Origem e Destino”, realizada pelo Metrô de São Paulo, informa que 69% das pessoas em São Paulo não se locomovem utilizando automóveis, e que 60% das distâncias percorridas em São Paulo ficam entre 2 e 5 km.

Em recente palestra, Tomas Rodrigues, líder de operações da Grow (Grin/Yellow), especializada em micromobilidade com bicicletas e patinetes, confirmou o que imaginávamos sobre a utilização dos automóveis: em média, eles ficam estacionados durante 22 horas do dia. Ou seja, 90% do tempo.

Atenta a esse processo, a indústria automobilística vem inovando. Investe no desenvolvimento de carros autônomos e outros modelos ajustados às mudanças comportamentais. Mudanças estas que impactam o setor imobiliário, o qual também se transforma.

Conforme divulgado no Anuário do Mercado do Secovi-SP (2018), os imóveis econômicos pularam de 21% dos lançamentos, em 2016, para 44% em 2018. Em 2018, foram lançadas 32,8 mil unidades na cidade de São Paulo, sendo 12,6 mil delas sem lugar próprio para estacionar. Destas 12,6 mil, 80% tinham preço até R$ 240 mil, ou seja, 10 mil unidades sem garagem, no valor limite do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

Se o mercado de imóveis econômicos em São Paulo teve 14,4 mil lançamentos, dos quais 10 mil sem garagem, conclui-se que, dos imóveis econômicos em São Paulo, 70% não tinham vagas. Já no período de setembro de 2018 a agosto de 2019, foram lançadas 51.403 unidades, 47% delas de imóveis econômicos, e se repetiu o porcentual de quase 70% destas sem garagens.

As despesas com automóvel (IPVA, seguro, manutenção, gasolina, estacionamento etc.) são de difícil absorção por famílias com renda entre 3 e 6 salários mínimos, público-alvo das habitações econômicas. Assim, no momento em que comercializamos imóveis com metragens de 25 m² a 35 m² de área privativa, incluir os custos de garagens significa acrescentar ao preço de uma unidade habitacional econômica, algo equivalente ao valor de 25 m² a 28 m² adicionais de área construída, dificultando sua aquisição por essas famílias.

Obviamente, todos gostariam de ter carro e garagem. Até porque, a solução da mobilidade urbana ainda está longe de ser equacionada. A questão é econômica, razão pela qual é lógica a tendência de unidades do MCMV sem vagas. Uma solução para reduzir custos e ampliar ao máximo o atendimento à população de menor renda, ou seja, quase 30% dos habitantes do município de São Paulo.

*Diretor do Secovi-SP

20 de novembro de 2019

 

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