Administração de Condomínio

Felicidade depende de escolhas corretas e relações sadias


Na palestra de encerramento do Enacon 2017, o filósofo Clóvis de Barros Filho deixou mensagens sobre felicidade, excelência, convivência e existência individual e coletiva para o público refletir
Professor Clóvis de Barros Filho

Na vida, antes de discutir os meios de se chegar a um lugar, é preciso saber aonde se quer chegar. Sem esse exercício prévio, as pessoas perdem muito tempo com escolhas incorretas, que levam à infelicidade. Esta é uma das tantas reflexões propostas pelo filósofo, jornalista e professor da USP (Universidade de São Paulo), Clóvis de Barros Filho, durante palestra de encerramento da edição 2017 do Enacon (Encontro das Administradoras de Condomínios), dia 5/10.

Os pensamentos do filósofo grego Epicteto, escravo analfabeto, que viveu de 55 d.C. a 135 d.C., em Roma, foram escolhidos para sedimentar o caminho traçado pelo professor Clóvis nos 45 minutos em que falou ininterruptamente. Ele contou que para Epicteto, todas as situações da vida são classificadas em dois tipos. Aquelas que são imaginadas, planejadas, controladas e implantadas, resultando em sucesso ou fracasso, fazem parte da vida tipo um. Os acontecimentos da vida tipo dois são os que surgem naturalmente, sem planejamento ou desejo e que interferem decisivamente no rumo da existência individual ou coletiva.

Porém, mesmo que metade de uma vida dependa de planejamento e decisões controláveis, aparecem situações inesperadas, que são muitas vezes usadas indevidamente para justificar a interrupção da caminhada rumo à felicidade causada, na verdade, por medo, insegurança ou desânimo. Entretanto, nesses momentos cada um deve medir o tamanho da sua responsabilidade e encontrar o que é possível fazer para que as coisas deem certo.

Para facilitar o entendimento, o professor deu alguns exemplos. José Carlos Martins, pianista virtuoso, teve a carreira interrompida por uma doença que atrofiou suas mãos, mas deu a volta por cima e se tornou um excelente maestro. Os atletas da Associação Chapecoense de Futebol, que tiveram a trajetória meteórica de sucesso interrompida por um acidente trágico de avião, foi outro exemplo citado. E Clóvis também contou sua história particular, que pode ser resumida a partir da descoberta da sua habilidade de “explicador” aos 13 anos, quando apresentou um seminário da disciplina de Geografia sobre petróleo para um grande público. “Gostei de estar no palco e descobri meu lugar natural, onde eu deveria estar. Fui professor por 30 anos”, disse. Este 'pleno desabrochar da natureza individual' é a forma de alcançar a felicidade, de acordo Aristóteles, um dos três maiores sábios da história do pensamento lembrado por Clóvis.

É só o amor – Esse pleno desabrochar da natureza de cada um leva à busca da excelência, que é a extração máxima da capacidade individual, cujo destino final é a felicidade. Quem alcança esse estágio, não torce pela finitude da vida. “Torcer para o dia acabar é torcer para a vida acabar.”

Distribuir cotas de felicidade para viver bem coletivamente 

O último grande pensador citado por Clóvis de Barros Filho foi Jesus Cristo. É dele a receita para tornar a vida boa, de acordo com o professor. “Cada segundo da vida será bem vivido se as pessoas se empenharem a dar felicidade para quem não se felicitaria. É a vida regida pelo amor dedicado ao outro.”

Trazendo o conceito para a vida corporativa, significa agir de forma contrária à defendida por alguns consultores em recursos humanos, ou seja, trabalhar com ética, e não assumir a postura de combate , com “faca entre os dentes e sangue nos olhos”, típica de quem adota a concorrência  desleal,  e quer alcançar resultados a qualquer custo, defendendo a linha do 'tudo é possível quando o assunto é competir'. “Trabalhar é melhorar a vida de alguém. O valor do trabalho não deve ser medido pelo retorno em dinheiro, porque se for assim, o trabalho voluntário não vale nada. O grande barato da vida é o legado que deixamos para quem confia em nós”, disse o filósofo.

Essa vida positiva e de felicidade depende de relações sadias. E o homem se relaciona o tempo todo. “A convivência pode ser diferente, se distribuírmos cotas de felicidade. Com ética, que é a definição de como queremos viver para ser feliz, conseguimos compartilhar inteligência a serviço da boa convivência”, ressaltou, completando que canalha é todo aquele que não se importa com o coletivo.

A conduta individual precisa ser limitada para proteger o bem maior, que é a coletividade. “Quando se divide espaço, deve haver limite orbital”, disse. Na sociedade, há muitos que desprezam as pessoas com as quais convive. “Respeitar todos que precisam de nós, torna a vida coletiva feliz. Quando um confia no outro, o resultado é o sucesso para os dois. Vamos fazer com que todos à nossa volta fiquem bem. A gente escolhe onde quer ficar.” Para concluir, Clovis de Barros citou Nietzsche: “Viva de tal maneira a desejar a eternidade daquele instante”.

Autor: Assessoria de Comunicação  - Secovi-SP

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