Administração de Condomínio

Painel do Enacon discute a gestão condominial e seus desdobramentos


A atividade do síndico não condômino, as novas tendências em tecnologia e o panorama do segmento para o futuro foram abordados no debate
                Sérgio Meira de Castro foi um dos palestrante do painel 

O Enacon (Encontro das Administradoras de Condomínios) deste ano trouxe em seu primeiro painel de trabalho o tema “A gestão condominial e seus desdobramentos”. O objetivo foi o de discutir a atividade, exercida por síndicos condôminos e não condôminos, debater as diferenças entre as modalidades e traçar um panorama do segmento para o futuro. Na abertura, o coordenador do painel, Omar Anauate, diretor de Condomínios da Associação das Administradoras de Bens, Imóveis e Condomínios de São Paulo (Aabic), abordou os desafios das empresas para entender o novo mercado e qual o papel delas diante desse processo de renovação. “Nos últimos dois anos, vimos uma mudança de cultura do nosso consumidor e uma necessidade de remodelação urgente e constante das companhias. A gente observa no dia a dia elementos novos em nosso mercado que afetam de uma forma sensível a nossa relação com os clientes, desde a questão dos síndicos externos, portaria remota (ou virtual), até diversos aplicativos de gestão interna dos condomínios. Muitos desses produtos, no meu entendimento, às vezes confundem a visão do cliente. E o nosso temor, com isso, é que o resultado seja o agravamento da baixa percepção de valor que o cliente possui em relação à nossa atividade”, analisou.

Para Anauate, as entidades têm um poder limitado nesse sentido. “A gente debate, tem ideias, mas a reinvenção do mercado vai surgir dele mesmo, tanto em relação às tendências de consumo como do produto que a gente mesmo irá remodelar e oferecer para atender o segmento. É sempre melhor pensar em grupo, por isso, digo que a melhor saída é nos reunirmos para entender qual o próximo passo a ser dado nesse processo de evolução”.

Já o vice-presidente do Secovi-RJ, Leonardo Schneider, destacou o crescimento do número de profissionais atuando como síndico externo e as implicações decorrentes desse aumento. “Anteriormente, a ocupação era exercida por aposentados ou donas de casa, mas a realidade vem se modificando há muitos anos. A conjuntura econômica complicada do País tem gerado uma alta taxa de desemprego e, como o segmento tem uma baixa barreira de entrada, muitas pessoas estão sendo atraídas para essa nova profissão”, salienta. Na cidade do Rio de Janeiro, pontuou, Schneider, a ocupação virou um negócio.  “Em média, cada síndico externo responde hoje por três condomínios cariocas. Em cinco anos, a carteira de clientes desses profissionais cresceu cerca de 15% e o valor médio de remuneração, por contrato, gira em torno de R$ 1.584,00”, enfatizou. O compliance foi outro ponto destacado pelo palestrante. “Vivemos um momento de muito questionamento e necessidade de posicionamento quanto à transparência. Existem regras, critérios, acordos, segurança de informação aos quais devemos nos atentar para sermos cada vez mais referência em nosso setor”, explicou o vice-presidente do Secovi-RJ.

O painel também contou com a presença da vice-presidente da Associação Gaúcha dos Advogados do Direito Imobiliário Empresarial (Agadie) e coordenadora técnico-pedagógica dos cursos de extensão da Unisecovi/RS, Cristiane Carvalho Vargas, que destacou o debate que vem ocorrendo no Estado sobre a segurança jurídica em torno da contração do síndico externo. “Antigamente, usávamos o termo “síndico profissional”, mas não é a forma mais adequada porque o síndico é um mandatário legal. Nesse caso, o que o diferencia de um síndico condômino é não pertencer à comunidade.  Dessa forma, ele é um “estranho”, um “externo” ao condomínio, que exerce um mandato”, enfatizou.

Nesse ponto, de acordo com Cristiane, está a questão da cautela que o mercado deve ter para se evitar outros desdobramentos em relação à atividade. “Se, desde 1928, existe a ideia da eleição, da escolha, com referência à assembleia, a instrumentalização deste mandato se dá por ata assemblear. Em qualquer demanda judicial, pelo menos é o que vivenciamos nos últimos anos no Rio Grande do Sul, nunca tivemos os juízes tão atentos à ata do condomínio que elege o seu representante legal como ocorre atualmente. Ou seja, o instrumento de representação do síndico é a ata da assembleia”, finalizou.    

O diretor de Condomínios da vice-presidência de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi-SP, Sérgio Meira de Castro, foi o último a palestrar e aproveitou para acrescentar os prós e os contras relacionados à contratação do síndico externo. “Esse perfil de profissional já está consolidado, principalmente, em prédios comerciais. Estimativas dão conta de que ele estaria presente em mais de 70% dos edifícios desse tipo e, também, em boa parte dos condomínios residenciais de grande porte”. Entre as vantagens dessa contratação, Meira destacou a imparcialidade na resolução de conflitos internos, maior capacidade técnica dos capacitados para a função, disponibilidade de tempo, melhor comunicação com os condôminos, equipe de back office multidisciplinar, entre outros. Com relação às desvantagens, ele citou a baixa disponibilidade fora do horário comercial, falta de vivência do dia a dia do condomínio, custo maior e possível conflito de interesse na indicação de fornecedores. 

Autor: Assessoria de Comunicação do Secovi-SP

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