Os cenários político, econômico e social do País foram os focos de palestra proferida pelo senador Aécio Neves, presidente do PSDB e virtual candidato à Presidência da República para as eleições de 2014, em reunião da Política Olho no Olho em conjunto com o Núcleo de Altos Temas (NAT) do Sindicato havida no dia 29/11, com a presença de cerca de 200 pessoas, entre empresários, autoridades e profissionais de imprensa.

Ele defendeu as privatizações do governo FHC, rememorou a modernização da economia – graças às reformas promovidas à época do governo do PSDB – e criticou o governo federal quanto ao cenário macroeconômico atual. “Deveríamos estar olhando para frente, mas aquela agenda de 15 anos atrás – que pedia inflação e juros baixos, estabilidade econômica, redução do déficit público, reformas tributária, previdenciária e política – é a agenda de hoje”, pontuou.

O senador também teceu críticas a Lula. Para ele, o cenário mundial que se desenhava entre 2003 e 2007 era propício à realização de reformas que poderiam alçar o Brasil a novos patamares: a economia do mundo vivia um bom momento, o País recebia recursos vindos do estrangeiro e o então presidente era apoiado pela ampla maioria do Congresso Nacional – fator que, em tese, garantia-lhe apoio necessário às reformas necessárias ao Brasil (política, econômica, tributária e previdenciária). “Mas para quê [serviu essa conjuntura favorável]? Para fazer essas reformas? Não! Foi para surfar nas ondas de popularidade”, disse.

Aécio Neves afirmou que o intervencionismo exagerado e regras que não dão segurança para investir são altamente prejudiciais. Fez referência à atual situação da Petrobras. Para ele, é um “constrangimento” o fato de a empresa ter chegado aos seus 60 anos com sua nota de crédito rebaixada pela agência Moody’s e com sua dívida triplicada. “Hoje, a Petrobras é a empresa mais endividada do mundo”, salientou.

Considerou, ainda, que falta de infraestrutura é falta de planejamento. “O Estado tem de ser mais eficiente e parceiro do setor privado, garantindo-lhe condições de gerar emprego e renda. Resgatar a credibilidade, proporcionar um ambiente favorável aos negócios e superar a pobreza são desafios que precisamos vencer.”

Romeu Chap Chap, coordenador do NAT, lembrou o empenho do senador no que se refere a um novo pacto federativo. “É preciso promover uma melhor distribuição de receitas. Na questão da segurança, a União responde por apenas 13% do conjunto de investimentos para combater a criminalidade, enquanto 87% de tudo que se gasta em segurança pública vêm dos cofres estaduais e municipais.”

Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP, focalizou o problema da corrupção, a qual, ao lado de entraves como altos custos burocráticos, dificuldades na obtenção de licenciamento ambiental e excessiva tributação, desmotiva o investimento, tanto nacional como internacional. “No ranking do Banco Mundial intitulado Doing Business, o Brasil ainda está longe dos melhores lugares do mundo para se fazer negócios e empreender. Num rol de 189 países, ocupamos a 116ª posição. E conseguir permissão para construção no Brasil demora em média 400 dias. Nesse quesito, estamos na 130ª posição do ranking. Diante de tantas dificuldades, vender facilidades virou um negócio à parte. E é assim que a corrupção se agiganta, pisoteando sem dó aqueles que, como nós, se recusam a transformá-la numa instituição”, disse.