CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO
Sábado, 18 de abril de 2015.
Vereadores acompanham as demandas apresentadas pelos moradores da região de Santa/Tucuruvi
Foto: Luiz França / CMSP
RAFAEL CARNEIRO DA CUNHA
Moradora do bairro Lauzane Paulista, na zona norte de São Paulo, a aposentada Elisabeh Mendes está sem saber aonde vai viver com a família depois de maio de 2016, quando acabar o seu contrato com a escola estadual onde é zeladora. Na manhã deste sábado (18/4), ela esteve presente no programa Câmara no seu Bairro, que ocorreu na subprefeitura de Santana/ Tucuruvi.
Aposentada, dona Elisabeth não sabe onde vai viver no próximo ano
Foto: Luiz França / CMSP
Prestes a completar 69 anos, Elisabeth alega que não tem condições financeiras de comprar ou alugar um imóvel. “Eu paguei aluguel até 24 anos atrás e aí não deu mais para pagar. Conversei com o pessoal da escola em que trabalho e virei a zeladora de lá. Aí ganhei um cantinho para morar com minha família”. Segundo Elisabeth, o aluguel na região gira em torno de R$ 1600, valor que não consegue pagar, pois seu salário é de R$ 1400.
Hoje, Lauzane Paulista é considerado um dos bairros mais valorizados do distrito do Mandaqui. Predominantemente residencial, está localizado próximo à Serra da Cantareira e tem sido alvo das imobiliárias nos últimos anos. Sua valorização ocorreu principalmente após a construção do Santana Parque Shopping, em 2007.
“Eu gosto muito de morar no Lauzane, apesar das grandes mudanças nos últimos anos. Eu não queria sair daqui e não me incomodo de ir para um imóvel pequeno”, diz Elisabeth. Na residência da zeladora aposentada ainda moram o seu marido e os três filhos. Cerca de R$ 300, R$ 400 do seu salário são gastos com remédios, tanto para ela, que passou recentemente por uma cirurgia para a retirada de 18 tumores da barriga, quanto para seu marido, que foi vítima de um enfarte e teve que fazer um cateterismo.
De acordo com Irani Dias, líder da Associação de Luta por Moradia Estrela da Manhã (Almem), existe um déficit habitacional de mais de 3.500 unidades no Lauzane Paulista. “Há um terreno na avenida Direitos Humanos que poderia servir para a construção de moradias populares. Porém, ele estava em um edital para licitação, mas simplesmente sumiu! Por quê?”
Assim como Elisabeth, o aposentado Jeremias Pereira também está com dificuldades para alugar imóvel no bairro. “Hoje pago 700 e está complicado. Sou aposentado, ganho pouco, estou com problema de saúde muito sério…”, ressalta Pereira. “A população merece respeito e não é isso que está acontecendo”, completa Irani.
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