Evento reuniu especialistas para discutir normas técnicas, prevenção de acidentes e o papel do administrador diante do avanço da eletromobilidade

A instalação de pontos de recarga para veículos elétricos em condomínios já não é mais uma aposta para o futuro e virou uma realidade que bate à porta dos síndicos e exige muito planejamento. Para jogar luz sobre os riscos, as responsabilidades legais e as regras de prevenção de acidentes, o Secovi-SP realizou, em 11/3, o Condo Meeting – Recarga de Veículos Elétricos em Condomínios: riscos, segurança e responsabilidades do administrador. O encontro teve público de mais de 220 participantes, entre o síndicos, administradoras, advogados e gestores condominiais.

A abertura foi feita pelo diretor de condomínios do Secovi-SP, Sérgio Meira. Ele chamou a atenção para a urgência de organizar a casa antes que a demanda por carregadores saia do controle. “A eletromobilidade já está presente em nossas garagens, mas ainda existem muitas dúvidas. Prédios com grande carga elétrica, por exemplo: quem paga a conta? O carregador deve ser instalado dentro do apartamento ou na área comum? Por onde passam as instalações?”, provocou.

Meira aproveitou para contar que o Secovi-SP montou um grupo de trabalho multidisciplinar focado em criar um manual de boas práticas. “É importante compreender que instalar um carregador em condomínio não é uma corrida, em que quem chega primeiro utiliza toda a energia disponível. Precisamos de planejamento e coordenação para garantir que todos tenham direito ao acesso”, pontuou.

Na sequência, a vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi-SP, Moira Toledo, destacou o peso que recai sobre os ombros do gestor condominial. Para ela, o síndico precisa mediar interesses e, acima de tudo, garantir a segurança do patrimônio. “Instalar um carregador de veículo elétrico não significa apenas colocar uma tomada na parede. Envolve responsabilidade civil do síndico, segurança patrimonial e gestão coletiva”, alertou.

Moira também fez questão de valorizar a aproximação da entidade com os órgãos técnicos. “O Secovi-SP, desde o início das discussões sobre eletromobilidade, buscou se aproximar dos órgãos técnicos — especialmente do Corpo de Bombeiros e da Associação Brasileira de Veículos Elétricos — para compreender os riscos envolvidos e identificar as melhores soluções regulatórias”, explicou.

O diretor de normalização do Secovi-SP, Paulo Rewald, resgatou o histórico das discussões e foi categórico sobre a necessidade de estudar a infraestrutura antes de plugar qualquer equipamento. “O primeiro passo é realizar um levantamento técnico da capacidade elétrica do edifício. Esse diagnóstico deve ser feito por engenheiros ou empresas especializadas”, recomendou.

Rewald também pediu calma aos condomínios, sugerindo que evitem decisões tomadas no calor do momento. “Uma recomendação importante é que os condomínios não tomem decisões precipitadas. Esse tema tem sido tratado muitas vezes de forma alarmista. O ideal é que haja debate, planejamento e definição clara de procedimentos”, disse ele, adiantando que o Secovi-SP vai liberar um roteiro jurídico para guiar os síndicos.

Quando o assunto virou segurança contra incêndios, a palavra passou para o vice-presidente do Conselho Nacional de Segurança Contra Incêndio/LIGABOM e coordenador de eletromobilidade no Estado, major Ronaldo Ribeiro. Ele detalhou as novidades na regulamentação, dando destaque para a atualização da Instrução Técnica nº 41, que aperta o cerco nas regras para instalações elétricas.

“Um dos principais pontos da nova regulamentação estabelece que, em áreas internas, serão permitidos apenas os modos 3 e 4 de carregamento. Os modos 1 e 2 — que utilizam a tomada simples de três pinos — não serão mais permitidos para uso interno”, detalhou o major. Ele resumiu a norma de forma bem direta: “proteger o circuito, proteger as pessoas e proteger os equipamentos”.

Fechando as apresentações, o integrante do conselho diretor e coordenador do GT de segurança da ABVE, Clemente Glauer, falou sobre o salto na frota elétrica e o perigo das famosas “gambiarras”. Ele mencionou a nova lei estadual sobre o direito de recarga e foi duro nas críticas às instalações feitas de qualquer jeito.

“Instalações improvisadas, como extensões ou carregadores, trazem riscos. Já instalações regulamentadas, como wallbox, oferecem segurança. A lei busca justamente incentivar que as pessoas optem sempre pelo caminho seguro”, cravou Glauer. Ele também aproveitou para quebrar alguns mitos sobre incêndios em carros elétricos, lembrando que a segurança está diretamente ligada à qualidade da infraestrutura e ao respeito às normas.

 

Confira as apresentações do Condo Meeting – Recarga de Veículos Elétricos em Condomínios