Sob a coordenação de Caio Calfat, vice-presidente de Assuntos Turísticos e Imobiliários, aconteceu dia 20/9 o painel sobre setor hoteleiro na Convenção Secovi-SP, dia 20/9, com palestra de Roberto Rotter, presidente do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb).

O executivo apresentou um panorama do parque hoteleiro e os desafios após a Copa do Mundo de 2014. Segundo ele, os dados mostram que o setor hoteleiro vivencia um momento positivo com o investimento de R$ 7 bilhões entre 2012 e 2015, o que, ao final do período, representará a construção de 40 mil novas unidades e a geração de 16 mil empregos.

“Hoje, o parque hoteleiro brasileiro tem 10 mil quartos em hotel, totalizando 460 unidades habitacionais. Destes, 28% são administrados por redes hoteleiras nacionais e internacionais. O restante – 62% – são de empreendedores independentes”, informou Rotter.

O presidente do FOHB informou, ainda, que o número de hotéis cresceu nos últimos 10 anos. “Mudou o perfil da hotelaria. Agora, temos mais hotéis econômicos do que empreendimentos de grande porte”, revelou, acrescentando que a diária média, em 2002, era de R$ 19 e, em 2012, saltou para R$ 229.

Apesar do aquecimento do mercado nos últimos anos, o setor não vem registrando bons números em 2013. Rotter demonstrou preocupação com a queda de ocupação nos últimos três anos. O executivo afirmou que, de 2011 para 2012, houve um crescimento no RevPar (receita por apartamento disponível) de 11%, mas uma queda de 3,8% na ocupação; e os dados prévios do primeiro semestre de 2013 seguem a mesma linha.

“O setor é sensível às mudanças na economia. À medida que cresce o PIB do Brasil, a hotelaria também melhora. O dólar baixo andou estimulando muito mais a saída de turistas brasileiros do que a vinda de estrangeiros para o Brasil”, opinou: “Somos, hoje, grandes estimuladores do turismo internacional.”

Eventos – Rotter avaliou como positivo o desempenho do setor hoteleiro durante a Copa das Confederações e apresentou um comparativo dos números brasileiros com índices da Alemanha e África do Sul – respectivamente, sedes das Copas de 2006 e 2010 – que corroboram o bom desempenho do Brasil. Os preços cobrados durante as competições têm sido amplamente debatidos, mas o dirigente destaca que a tendência de alta se reproduz em todos os mercados que recebem grandes eventos.

“Em Berlim, a diária média quase dobrou de 2005 para 2006. Em Munique, o índice cresceu cerca de 80%”, pontuou, salientando que o comparativo feito com o Brasil mostra que, enquanto as cidades alemãs tiverem diárias entre US$ 150 e US$ 200, a Cidade do Cabo (África do Sul) chegou a US$ 300 e o Brasil ficou abaixo dos US$ 200 na Copa das Confederações.

Placar da Hotelaria – “Eventos pontuais mudam o cenário da hotelaria nacional”, resumiu Rotter, que comentou os números do Placar da Hotelaria 2015, estudo realizado pelo Fohb e pela HotelInvest, com apoio do Senac.

O executivo destacou a infraestrutura nas cidades-sedes para a Copa do Mundo, informando que o setor hoteleiro é o único efetivamente preparado para a competição mundial. “As cidades-sedes já superam o número de leitos recomendados pela Fifa, que é de 30% da capacidade do estádio em quartos em hotel”, informou.

Sobre a construção de novos hotéis, o presidente do Fohb alertou para o para o risco de superoferta depois da Copa em Porto Alegre, Recife, Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Manaus e Salvador, passado o período do torneio. “Hotel não se faz para um evento”, afirmou.

Desafios – A forma de constituição jurídica dos empreendimentos, que hoje se faz majoritariamente por meio do sistema de condo-hotéis, está entre os desafios apontados por Rotter. “Este é o modelo ideal?”, questionou o dirigente, uma vez que este formato de negócios é alvo de discussões e críticas constantes de especialistas. Além disso, o dirigente do Fohb lembrou de alguns entraves, como o alto custo de imóveis e terrenos no Brasil e as dificuldades de se obter financiamento.

Ricardo Mader, diretor da área de Hotéis & Hospitalidade da Jones Lang LaSalle para a América do Sul, disse que cresceu o interesse dos investidores nacionais e estrangeiros no setor hoteleiro brasileiro. “Ainda vemos muito interesse, mas já estamos perdendo posição para alguns mercados como México, Colômbia e Peru”, revelou Mader, referindo-se aos dados inéditos de uma pesquisa que a empresa divulgará ainda este mês.

“Contudo, o investidor permanece disposto a pagar mais para entrar mais no Rio e em São Paulo”, constatou. Entre as dificuldades apontados por Mader está a dificuldade em empreender no Brasil por causa da burocracia. “Muitos investidores estrangeiros se cansaram do País”, afirmou.

Diogo Canteras, da Hotel Invest, lembrou das responsabilidades, riscos e consequências de se desenvolver condo-hotéis atualmente. “O incorporador bem-intencionado quer oferecer um bom produto ao investidor que, na verdade, é quem corre o risco deste negócio”.

Para ele, o modelo ideal é o fundo de investimento imobiliário. “É uma excelente alternativa para o setor hoteleiro. Mas tem sido de difícil viabilização no Brasil”, disse Canteras. Sua opinião foi compartilhada por Mader: “O condo-hotel é um péssimo negócio do ponto de vista de retorno do investimento”, criticou o diretor da Jones Lang LaSalle.

Felipe Cavalcante, presidente da Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Brasil (Adit), também falou sobre as dificuldades para trazer investimentos para hotelaria brasileira. “Temos muitos problemas”, disse Cavalcante, lembrando de grandes empreendimentos no Costa do Sauípe que fracassaram e acabaram “manchando” a imagem do País.