Revisão do Plano Diretor e estímulo às fachadas ativas permearam o debate de especialistas sobre as transformações necessárias na capital paulista
Secovi-SP realizado na tarde de terça-feria, 20/8, colocou em pauta um tema crucial para o futuro da capital paulista. As provocações do tema “Urbanismo e Mercado Imobiliário: O que Precisa ser Alterado no Modelo de Desenvolvimento Urbano na Cidade de São Paulo? Qual o Papel do Setor nesse Processo?” nortearem o debate sobre as transformações necessárias para a capital paulista, à luz da Revisão Intermediária do Plano Diretor de São Paulo.
Ancorado por Roberta Simeoni, diretora de Urbanismo do Secovi-SP, o painel contou com a participação de Elisabete França, titular da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento de São Paulo (SMUL), Claudio Bernardes, vice-presidente da entidade, e Washington Fajardo, urbanista e especialista sênior no IDB.
Roberta Simeoni conduziu a discussão sobre a importância de “fachadas ativas terem acesso direto e abertura para logradouro”, e enfatizou como “acessos generosos e convidativos podem contribuir para a maior interação” entre o edifício e a rua, promovendo a vida urbana e o comércio local. No entanto, a realidade tem mostrado que a implementação enfrenta desafios, resultando em uma vacância de comércios no térreo de prédios que chega a 80% em São Paulo”, transformando-as em “fachadas inativas”.
Washington Fajardo trouxe a perspectiva internacional, explicando que São Paulo pode se beneficiar de experiências bem-sucedidas em outras metrópoles globais. Ele afirmou que “a cidade não é projeto, é processo”, indicando a necessidade de uma visão mais dinâmica do urbanismo. Ressaltou, ainda, que é preciso ter ‘visão holística’ do espaço público, conectando o urbanismo a questões como saúde, educação e segurança. Em relação aos planos diretores, disse que, em alguns casos, não foram atingidas as metas e que há a necessidade de “simplificar e unificar o emaranhado de regras urbanísticas”.
Elisabete França destacou que a SMUL tem trabalhado para implementar as diretrizes do Plano Diretor revisado, focando em criar um desenvolvimento urbano mais equilibrado e inclusivo. Apontou que “o Plano Diretor tem de evitar ideias brilhantes, que não funcionam”, e que é preciso ter “menos utopia e mais chão”. Sobre as fachadas ativas, ela mencionou que os novos prédios deverão abolir muros e que “os edifícios precisam ser abertos para os espaços públicos”.
O mercado imobiliário tem papel fundamental nesse processo, na avaliação de Claudio Bernardes, para quem é necessário alinhar interesses privados com objetivos públicos de desenvolvimento sustentável. Ele também trouxe à tona a preocupação com a efetividade das políticas urbanas, mencionando que, apesar dos incentivos, as fachadas ativas estão em falta e que, em muitos casos, “estão virando fachadas fantasmas”, devido à alta vacância. Bernardes também abordou a questão falta de vagas de garagem em novos empreendimentos, um ponto de atrito entre as diretrizes do Plano Diretor e a demanda do mercado, que resultar na elevação do preço de estacionamento em São Paulo e gerar transtornos para moradores e comércio local.
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