No último painel do evento, foram compartilhadas iniciativas sobre várias perspectivas que contribuíram para tornar os sistemas urbanos mais resilientes
“A Força Transformadora do Urbanismo e o Papel do Mercado Imobiliário” encerrou a programação de painéis da Convenção Secovi 2025 com uma discussão sobre um dos temas mais relevantes para o futuro das cidades: como os sistemas urbanos podem se tornar mais resilientes diante de mudanças incontroláveis.
O painel foi ancorado por Roberta Simeoni, diretora de Urbanismo do Secovi-SP, e Herodoto Barbeiro, professor, jornalista e âncora do Jornal Nova Brasil 89.7 FM. Juntos, conduziram uma troca de experiências com Anderson Farias, prefeito de São José dos Campos, Flavia Tissot, diretora da Place, Hélio da Silva, “Plantador de árvores” do Parque Linear da Tiquatira, e Ricardo Locatelli, diretor na Alvarez & Marsal.
Anderson Farias trouxe a perspectiva da gestão pública municipal, explicando como São José dos Campos tem desenvolvido estratégias de resiliência urbana que envolvem parcerias com o setor privado. A cidade é a única no Brasil com dois planos diretores: um para a área urbana e outro específico para São Francisco Xavier, local de grande biodiversidade na Serra da Mantiqueira. “Há um olhar totalmente diferenciado para essa região, com um plano diretor específico, uma lei de desenvolvimento realmente muito específica para aquela área, para poder ter essa proteção ambiental”, afirmou Farias.
Ricardo Locatelli compartilhou a experiência vivida durante a reconstrução de Porto Alegre, após as enchentes que devastaram a cidade. Como diretor na Alvarez & Marsal, ele participou ativamente do processo de recuperação, liderando uma equipe de 30 pessoas, 15 no Estado e 15 em Porto Alegre. A reconstrução envolveu três momentos distintos: emergencial (salvar vidas), reconstrução (levantar custos e restaurar elementos fundamentais) e resiliência (preparar a cidade para o futuro). “Aqui, pessoal, uma ilustração que foi uma grande operação de guerra, não dá para ter outra palavra para isso”, concluiu.
Flávia Tissot, CEO e fundadora da Place, explicou como a tecnologia pode ser aplicada em momentos de crise urbana. Também gaúcha, ela vivenciou de perto a situação de Porto Alegre e mobilizou sua empresa para desenvolver soluções tecnológicas que ajudassem na organização da resposta às enchentes. Outras funcionalidades incluíam informações sobre vias bloqueadas (“Todo mundo da cidade saiu pela mesma via, para ir para a praia. Ninguém andava porque estava tudo trancado”), distribuição de água (“Tem como saber onde tem água disponível? O pessoal ia no mercado e comprava horrores de água para não saber quando ia voltar”) e trânsito em tempo real.
Hélio da Silva demonstrou como iniciativas individuais podem gerar transformações urbanas significativas. Conhecido como o “Plantador de árvores” do Parque Linear da Tiquatira, ele compartilhou sua experiência inspiradora. “Comecei plantando árvores no parque simplesmente por acreditar na beleza de um lugar verde. O que descobri é que uma única árvore pode plantar uma ideia, um senso de pertencimento, e criar uma comunidade inteira. Essa é a verdadeira força transformadora do urbanismo, que começa de baixo para cima, com um simples ato de cuidado e amor pelo nosso espaço”, disse Silva.
Confira a cobertura fotográfica: https://flic.kr/s/aHBqjCrwjA