Hubert Gebara*
Aqueles que operam no mercado imobiliário e não participaram do 17º Congresso Nacional do Mercado Imobiliário (Conami), realizado na última semana, em São Paulo, perderam uma grande oportunidade de atualização. As mais de 500 pessoas inscritas de todo o Brasil apreciaram as palestras de uma verdadeira tropa de elite de profissionais. Resultado: os participantes conheceram o que há de mais moderno em administração do mercado imobiliário.
A edição paulista do Conami foi desenhada para aqueles que desejavam ensinar e aprender. Ambos os objetivos foram atingidos. Não há, entretanto, como negar: continuamos aprendendo. Não somos, especificamente, aprendizes do mercado imobiliário. Somos aprendizes desse mundo novo, no qual esse setor está inserido. Quem assistiu as palestras entendeu claramente a mensagem.
O conceito de inovação esteve latente em tudo o que foi enfatizado. Não há regras em um mundo que se transforma incessantemente. As regras, quando existentes, são tão fugazes que merecem outros nomes. O segmento condominial, foco do evento, não pode mais ser analisado isoladamente. Ele faz parte do todo e o todo é tão múltiplo que requer a chamada e difícil visão grande angular que alguns poucos possuem.
O mercado imobiliário não pode mais existir sem a mobilidade urbana nas grandes metrópoles brasileiras. Pode não ser do agrado de muitos, mas o transporte público terá de ser engolido goela abaixo. Muito automóvel particular terá de ficar na garagem.
Estamos falando de sustentabilidade em seu sentido mais amplo. Quem não considerá-la parte inerente ao projeto corre o risco de manter o empreendimento na prancheta. Alguns itens terão de ser obrigatórios. Como energia solar. Um palestrante perguntou: alguém aqui na plateia sabe que a indústria da construção civil consome 50% de toda a energia elétrica produzida? Alguns sabiam, os demais ficaram quietos. Convenhamos: consumir a metade da energia elétrica disponível é um dado de tirar o sono. É incompatível com a modernidade.
E a água? O que vamos fazer para que ela não acabe antes do petróleo? O Conami nos ensinou que essas questões cruciais terão de ser tratadas num contexto de economia de consumo. Não há outra opção. Se não conseguirmos desatar o nó, o choque de modernidade pode eletrocutar a todos.
Muitos dos que participaram do evento ouviram falar pela primeira vez de software de manutenção das edificações, que compreende insolação, aparato de segurança, acessibilidade, análise do entorno e valor das áreas comuns.
Surpresa: o sofisticado mix tecnológico de serviços e de lazer de um moderno condomínio poderá, quem sabe, trazer de volta a lareira como um sofisticado item de qualidade de vida, se as coisas não derem tão certo como queremos. Como a energia solar poderá ser garantia de qualidade de vida quando falhar – e se vier a falhar – a grande tecnologia que estamos implantando com total dependência da energia elétrica?
O programa de autorregulamentação da administração condominial passou no teste. Está pronto e poderá entrar em operação em São Paulo. Outros Estados já estão interessados no modelo aplicado na capital paulista.
Em meio a tantas questões, como fica o mercado imobiliário? Pelos números apresentados, o mercado imobiliário vai muito bem, obrigado! Os condomínios estão crescendo mais rapidamente do que a área urbana onde estão instalados. Ainda há muito espaço para o crescimento. Até 2015, em Florianópolis (SC), haverá muito assunto a ser debatido. O aprendizado não cessa.
* Hubert Gebara é vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi-SP, presidente eleito da Fiabci-Brasil e diretor do Grupo Hubert.