Mais de 7 mil imóveis foram vendidos no primeiro semestre, mas lançamentos caíram 40% por causa da outorga onerosa

O mercado imobiliário da região de Campinas registrou um 1º semestre de 2025 com vendas recordes, superando novamente a região metropolitana de São Paulo. No entanto, a queda acentuada nos lançamentos de novos empreendimentos acende um alerta para o futuro do setor.

De acordo com dados do Secovi-SP, mais de sete mil imóveis novos foram vendidos nos primeiros seis meses do ano, um volume que surpreendeu o setor. “Esse número surpreende porque a gente não espera um número tão alto. A gente sofre muito quando a taxa Selic tá muito alta. Então, realmente é uma surpresa ter esse número”, afirma Daniel Aranovitch, diretor de Intermediação Imobiliária e Marketing da Regional Secovi-SP, em entrevista hoje, 23/9, para a Rádio Jovem Pan Campinas

Para Aranovitch, um dos segredos do sucesso da região é a sua diversidade. “Campinas é uma cidade que não sei quantas tem igual no país, porque tem algumas Campinas dentro de Campinas. Então tem regiões que vão muito bem na Minha Casa Minha Vida e você anda 15 minutos de carro e chega na Nova Campinas, Cambuí, onde vende um altíssimo padrão, na mesma cidade”, explica.

O principal entrave para o setor, no entanto, tem sido a outorga onerosa, uma taxa cobrada pela prefeitura para permitir construções maiores. Com o aumento do valor da outorga, somado aos custos de construção e dos terrenos, a conta deixou de fechar para as construtoras. “Para o incorporador, ficou duas vezes mais caro, porque eu tenho que pagar o terreno mais caro, mais a outorga, ou seja, a conta não fecha”, lamenta Aranovitch.

Com a queda de mais de 40% nos lançamentos, o estoque de imóveis na região está em um nível criticamente baixo, com apenas 8 a 9 meses de oferta. A expectativa de queda na taxa de juros deve aquecer ainda mais a procura, o que pode levar a um cenário inédito. “Se não resolver o problema da outorga rápido, nós vamos ter uma coisa que no mercado é meio que inédito, que é ter menos oferta do que demanda”, alerta o diretor do Secovi-SP.