A diretora de administração imobiliária e condomínios da Regional do Secovi-SP em São José dos Campos, Ivana Lopes, detalhou os desafios e as tendências do mercado de vigilância condominial em entrevista concedida ao Jornal Nova Brasil Vale, no dia 10/2. O debate ocorre num momento em que a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) analisa um projeto de lei que visa restringir a implementação de sistemas de portaria virtual no Estado, motivado por relatos de falhas de segurança e invasões em empreendimentos habitacionais.
Ivana Lopes esclareceu que, atualmente, a modalidade não sofre proibições legais. “Por enquanto, ainda não tem nenhuma lei que proíba portaria virtual em São Paulo. Existe um projeto nesse sentido e o foco não é acabar com a tecnologia, mas tentar evitar que a substituição da portaria tradicional pela virtual seja feita só por economia, sem planeamento e sem critério mínimo de segurança”, afirmou a diretora. Ela pontuou que a portaria tradicional representa um peso significativo no orçamento dos moradores, consumindo “aproximadamente 60% a 70% do valor que é cobrado nas taxas de condomínio”, o que torna a automação uma alternativa financeira atraente, especialmente para prédios de pequeno porte.
A análise institucional do Secovi-SP pondera que a escolha entre o modelo orgânico ou tecnológico não deve ser simplista, uma vez que ambos apresentam riscos operacionais distintos. “A presença humana ajuda, mas também tem falha. E na tecnologia também tem falha”, ressaltou Lopes. Enquanto sistemas virtuais podem ser vulneráveis a quedas de energia ou interrupções de internet, a portaria física enfrenta problemas como o desrespeito a protocolos de identificação por costume e a rotatividade de funcionários sem o treino adequado.
Além das questões de segurança, a diretora lembrou as barreiras impostas pela convenção coletiva da categoria, que estabelece o pagamento de 15 pisos salariais por cada colaborador demitido em razão da substituição pela portaria virtual. Diante deste cenário complexo, a recomendação da entidade é o diálogo exaustivo entre os condóminos. “Este é um debate que tem de ser feito por cada condomínio buscando a melhor solução para aquela situação específica. Nas duas situações existem riscos e é necessário um controlo rígido, planeamento e uma implantação bem-feita”, concluiu.