Na terça-feira, 25/10, aconteceu o Encontro NE, iniciativa dos Novos Empreendedores do Secovi-SP, na sede da entidade. Duas convidadas especiais trataram do tema inovação, abordando economia compartilhada e o novo perfil do consumidor.
A coolhunter Daniela Klaiman, CEO da startup Unpark, especialista em comportamento do consumidor e tendências de mercado, apresentou o conceito de lowsumerism, novo mindset emergente baseado no consumo consciente e em menor escala, que segundo ela, vai mudar a forma de fazer negócios e traz a reboque a economia compartilhada. “As pessoas vão continuar consumindo, mas de uma forma diferente. Ostentar é ‘feio’. Compartilhar é a solução do futuro. Usufruir sem possuir, ser ao invés de ter, acesso ao invés da posse”, disse Daniela, que é professora de Future Behavior & Consumer Insights, da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing).
Passando pelos quatro pilares da economia compartilhada – experiência, transparência, comunidade e plataforma –, a especialista comentou sobre o seu crescimento exponencial, cujos grandes exemplos são Uber e Airbnb, porque conta com a força de comunidades, não demanda estruturas fixas e grandes, custos elevados e nem propriedade das coisas que vende. “É importante entender como esse mercado funciona e como conseguimos entrar efetivamente nesse universo, se beneficiar disso e surfar nessa onda. É um movimento que não vão conseguir frear porque são as pessoas que estão guiando”, disse.
Airbnb: um novo jeito de viajar
Flavia Matos, Public Policy do Airbnb, contou a história do surgimento da empresa, há oito anos, pela necessidade financeira dos três fundadores. Na época estudantes que dividiam uma casa, eles alugaram espaços vagos com colchões de ar – daí o nome air bed and breakfast. Hoje, a empresa tem 2,5 milhões de anúncios em 34 mil cidades de 191 países – inclusive Cuba – e já teve mais de 100 milhões de hóspedes. A base do sucesso? Uma comunidade confiável, que roda em uma plataforma em constante aprimoramento por equipes de engenharia e de experiência do consumidor, com hóspedes que querem viver a experiência de um local.
Com sua atividade – locação por temporada – prevista na Lei do Inquilinato, a plataforma ganhou corpo no Brasil principalmente depois da Copa do Mundo, em 2014. Durante os Jogos Olímpicos, 25% dos turistas estrangeiros e 21,2% dos brasileiros viajaram pelo Airbnb (dados do Ministério do Turismo), que acomodou 85 mil hóspedes, com registro de R$ 100 milhões de renda gerada para os anfitriões e apenas um incidente. Atualmente há 105 mil anúncios no País.
Segundo levantamento da empresa, 35% dos usuários da plataforma não teriam viajado ou ficado todo o período no destino se não fosse por ela. “O Airbnb democratizou a viagem”, afirmou Flavia. “A empresa tem sido o catalizador de um novo jeito de viajar, atendendo a este novo comportamento do consumidor, novo modo de enxergar os recursos, a cidade e os destinos.”
Caio Calfat, vice-presidente de Assuntos Turísticos Imobiliários, coordenou os debates após as palestras, que abordaram questões relacionadas à indústria do turismo e as novidades trazidas pela plataforma, com destaque para a ausência de dados que comprovem que o Airbnb diminuiu a demanda do mercado hoteleiro. Quebra de paradigmas e o avanço da tecnologia, que tende a ser cada vez mais intuitiva e natural, também foram pontos comentados pelas especialistas.