Com a descontração e o bom humor que caracterizam suas participações em programas de rádio e TV, o administrador de empresas, especialista em recursos humanos e autor de livros Max Gehringer ministrou a palestra “Perspectivas da Gestão de Recursos Humanos nas Organizações Imobiliárias”, no segundo painel do 17º Conami, que acontece até 16/10 no Hotel Renaissance, em São Paulo. O evento é uma co-realização do Secovi-SP (Sindicato da Habitação) e da AABIC (Associação das Administradoras de Bens, Imóveis e Condomínios de São Paulo).

Contando “causos” e relembrando o passado, Gehringer falou sobre as mudanças aceleradas das últimas décadas e de seu impacto no nosso estilo de vida: o crescimento impressionante de São Paulo, o apogeu e o declínio da migração interna, a inserção (e o rápido desenvolvimento) da mulher no mercado de trabalho, o aumento da expectativa de vida – que se refletiu em um “estiramento” da adolescência – e o advento das novas tecnologias. “Existe uma geração que – não importa o que a gente pense dela – vai construir o futuro, e nós vamos viver neste futuro”, afirmou.

Essa geração é justamente aquela que cresceu jogando videogames e mexendo em computadores. Sua habilidade em lidar com eletrônicos costuma ser inversamente proporcional à sua capacidade de interagir com pessoas: “Depois de três semanas trabalhando numa baia, esse jovem se levanta, um dia, para ir ao banheiro, e enfim conhece o colega da baia ao lado, com quem ele trocou e-mails e mensagens por SMS durante dias”, ironizou.

Para destacar a importância da boa comunicação, o conferencista brincou: “Todo jovem deveria fazer um curso de idiomas: o de Língua Portuguesa. Saber se comunicar é fundamental para lidar com pessoas”. Sua recomendação é o curso de expressão verbal, que ajuda a erradicar vícios de linguagem e eventuais cacoetes.

Gehringer também desconstruiu alguns conceitos que, não raro, são replicados pelo mercado sem que se questione se aquela é uma real necessidade. “Não é necessário ter um doutorado para dourar o currículo”, provocou. “Começamos a criar teorias demais, sendo que precisamos apenas de gente agradável e eficiente. Um tipo de profissional que, se nós tratarmos bem, ficará sempre com a gente”, concluiu.