encontroO Secovi-SP (Sindicato da Habitação) e a Asbrass (Associação Brasileira de Self Storage) promoveram, nos dias 7 e 8/11, a quarta edição 2016 do Brazil Self Storage Expo, na sede do Sindicato da Habitação, na Capital.

No primeiro dia de evento, foi apresentado um panorama do mercado de self storage, que consiste na locação de boxes (unidades metálicas autonomas) para armazenamento e seus principais desafios. Mark Turnbull, diretor de Locação da vice-presidência de Gestão Patrimonial e Locações do Secovi-SP, destacou a importância do segmento.

“Criado nos Estados Unidos na década de 1960, o self storage é hoje reconhecido como a atividade que mais cresce no setor imobiliário americano. No Brasil, esse mercado apresentou um expressivo crescimento nos últimos anos. Existem no País mais de duzentas operações de self storage. Nos Estados Unidos, são mais de cinquenta mil – o maior número de empreendimentos dessa natureza do mundo”, afirmou.

Operação brasileira – Segundo dados da Asbrass, existem no Brasil 216 unidades em operação no País, sendo que a maior parte se concentra no Estado de São Paulo (103, sendo 70 apenas na Grande São Paulo). As demais unidades estão distribuídas no Rio de Janeiro (21), Paraná (14), Distrito Federal (13), em Santa Catarina (11), Curitiba (8) e Belo Horizonte (7).

O presidente da Asbrass e diretor de Self Storage do Secovi-SP, Flavio Del Soldato Jr., explicou que atualmente o mercado é procurado por pessoa jurídica e pessoa física em igual proporção, e que a maior parte do uso é para guardar móveis (80%). “A procura é tanto de pessoas físicas quanto jurídicas. 10% são empresas para armazenar documentos e 10% referem-se a estoque de mercadorias de pequenas empresas e e-commerce.”

Del Soldato observou que a demanda não tem crescido na mesma velocidade da oferta que apresenta um incremento considerável nos últimos 2 anos. “Em 2014, havia 154 operações e neste ano o setor tem 216, sendo praticamente metade delas eno Estado de SP”, informou.

Rodolfo Delgado, presidente da Guarde Perto, empresa do Rio de Janeiro, disse que planeja expandir de 5 para 10 unidades nos próximos anos. Embora reconheça que o mercado tem sofrido com a queda na demanda. “Escritórios de advocacia que alugavam dez, onze boxes, agora estão alugando cinco”, afirmou.

Desafios – Antônio Sanches Filho, presidente da Local Box, de São Paulo, acredita que o período ‘romântico’ do self storage passou. O empresário destacou a burocracia enfrentada junto às prefeituras para manter o negócio.

Para Allan Paiotti, CEO da GuardeAqui, o maior desafio do setor é tornar o negócio de self storage conhecido do público final. “Ainda é preciso educar o mercado”, afirmou, acrescentando que há um grande potencial de demanda no público que ainda não conhece a atividade.

Outra questão apontada por Paiotti foi a dificuldade em encontrar áreas bem localizadas, com facilidade de acesso, tamanho, entre outras características consideradas importantes para uma operação bem-sucedida. Paiotti também ressaltou a questão da regulamentação.

Segundo ele, muitas prefeituras brasileiras desconhecem a atividade de self storage. “Elas [prefeituras] têm dificuldade de entender as características da operação e tentam nos enquadrar em modelos antigos, como guarda-móveis ou galpões logísticos, por exemplo – que são muito distintos em termos de demanda, de uso e de espaço”, explicou, afirmando que self storage é locação imobiliária, e não prestação de serviço.

O painel de abertura contou ainda com a presença de Luiz Octávio Correa, ex-proprietário da Minidocks, fundada por ele em 1996 e vendida recentemente. O empresário comentou que há desafios distintos para o operador que atua em imóvel alugado e o que conta com prédio próprio.