
Encarecimento da habitação impulsiona favelização e ocupações irregulares em áreas de risco
O Secovi-SP tem dialogado com o Executivo e o Legislativo federais para demonstrar por que a redução da jornada de trabalho encarecerá o custo da moradia para todas as faixas de renda.
O impacto nos preços decorre da própria natureza do setor imobiliário, que é intensivo em mão de obra e possui cronogramas rígidos. Como a produção habitacional exige presença física constante, a redução da jornada semanal sem redução salarial elevará automaticamente o valor da hora trabalhada.
Para manter o prazo de entrega, a contratação de mais operários aumentará a folha de pagamento e os encargos trabalhistas associados. Qualquer dilatação de prazos implica em mais custos financeiros para as empresas, os quais são repassados ao consumidor. E vale lembrar que há milhares de obras em andamento no País.
Soma-se a isso a pressão sobre a cadeia de suprimentos. A indústria de insumos (como cimento, aço e tijolos) também opera em regimes de turnos. A adaptação dessas fábricas a uma jornada reduzida encarecerá a produção, onerando o valor do metro quadrado desde a fundação até o acabamento.
Essa combinação de fatores tende a pressionar o preço final, inclusive das unidades do programa Minha Casa, Minha Vida, visto que os subsídios governamentais podem não acompanhar o ritmo da inflação setorial.
Para o Secovi-SP, caso a alteração da escala 6×1 seja aprovada, é imperativo que sejam estabelecidas regras que reconheçam as especificidades e a complexidade de segmentos como o imobiliário.