Em entrevista ao jornal Bom Dia Sorocaba, o vice-presidente do Interior e diretor da Regional Sorocaba do Secovi-SP, Flavio Amary, explica que a grande descentralização das indústrias e universidades tem sido responsável pela valorização dos imóveis no Interior. Esse fenômeno se encaixou no desenvolvimento de Sorocaba, que recentemente ganhou grandes indústrias, aumentando o preço da moradia.

De acordo com a reportagem, alugar um imóvel residencial em regiões próximas ao Centro de Sorocaba custa mais que em alguns bairros da Zona Norte de São Paulo. Segundo pesquisa do Secovi-SP, alugar uma casa de dois dormitórios na região central de Sorocaba sai, em média, por R$ 1,2 mil.  

Segundo Amary, a procura por imóveis no Interior tem sido estimulada pelo aumento da oferta de cursos de Universidades públicas e grandes instituições de ensino privadas, além da migração de grandes empresas. “Hoje um estudante do Interior do Estado que ia a Capital para estudar, vem para Sorocaba, cidade com uma boa oferta de ensino público e que cresceu nos últimos anos. E mesmo as grandes empresas, que têm investido em unidades descentralizadas, passaram a gerar crescente demanda por imóveis no Interior”, disse.

O vice-presidente do Secovi-SP explica ainda que a baixa oferta de imóveis de um dormitório em cidades do Interior é também um dos principais fatores de alta dos aluguéis. Segundo ele, a tendência de aumento na demanda de habitação para estudantes e funcionários de empresas que migram para estas cidades é de uma residência individual. “Sem oferta, a pessoa tende a deixar um dormitório vago ou em alguns casos dividir com algum amigo. Às vezes, antes de comprar, um funcionário se muda para a cidade para se adaptar antes de trazer a família”, afirma Amary.

Flavio completa que ao contrário de outros países, o Brasil não tem bolha imobiliária. “Diferentemente do que se possa pensar, no Brasil não temos o fenômeno que pudemos acompanhar em países como EUA e Espanha, onde o preço dos imóveis subiu vertiginosamente. Nos Estados Unidos, o financiamento chegou a ultrapassar o valor do imóvel. Os bancos brasileiros são sólidos e têm políticas rígidas, não passando de 70% do valor do imóvel. Um fator que causa alta dos preços no Brasil, de forma sustentável, é o aumento de renda da população em relação ao déficit habitacional.”

Reajuste de aluguel é o mais alto em seis meses

O índice de reajuste dos aluguéis em fevereiro deste ano é o maior dos últimos seis meses. No entanto, o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), que orienta o reajuste dos aluguéis, está em uma tendência de queda nos últimos 12 meses, em relação ao índice de fevereiro de 2013. IGP-M de fevereiro é de 1,0566 contra 1,079 de um ano atrás.