Com a sala cheia, o painel “Mercado Imobiliário do Interior” ganhou destaque na programação da Convenção Secovi, no dia 30/8. O evento ocorreu de 27 a 31/8, na sede do Sindicato, na Capital.
Frederico Marcondes César, vice-presidente do Interior e diretor da Regional do Sindicato na Região Metropolitana do Vale do Paraíba, apresentou uma radiografia do interior paulista, mostrando a força econômica e o enorme potencial das cidades paulistas por meio de dados levantados pelo Departamento de Economia e Estatísticas do Sindicato.
“É uma grande satisfação poder apresentar esse painel. Estamos vivendo um momento histórico no nosso País, com uma resolução política e econômica que nos fará sair de uma estrada escura e cheia de buracos para colocar nossas empresas em uma via pavimentada, e o Brasil no caminho que lhe é devido, de prosperidade e crescimento. Hoje falamos sobre a força do Interior numa visão econômica e de oportunidade”, afirmou Marcondes César.
O vice-presidente iniciou a apresentação mostrando que o PIB do interior paulista responde por 67% das riquezas do Estado, enquanto a Capital participa com 33%. “O Interior produz R$ 1,1 trilhão em riqueza. O Estado do Rio de Janeiro produz R$ 600 bilhões; Minas Gerais, R$ 487 milhões; e a cidade de São Paulo, R$ 500 bilhões. Isso significa que o interior de São Paulo produz a mesma riqueza da soma de Rio e Minas.”
Quanto ao tema “Habitações e adensamento”, os dados apresentados mostram que o interior de São Paulo tem muito para crescer e com qualidade de vida, em razão das limitações das leis de zoneamento, planos diretores, estatutos, licenciamentos, contrapartidas, entre outros aspectos.
O Estado de São Paulo possui, atualmente, 175 habitantes por km². No Interior, esses números variam de 600 a 2 mil pessoas. A cidade de São Paulo alcança 7 mil habitantes por km²; Paris, 21 mil; Hong Kong, 16 mil; e Nova York, 17 mil. “O crescimento do Interior pode ser adensado e verticalizado. Depende do governo, da política urbana, do transporte e de uma série de outros fatores. Podemos ter um crescimento ordenado, chegando a índices mundiais, com qualidade de vida”, disse.
Vantagens – Marcondes César destacou, também, que há forte estrutura para investimentos, com crescimento da população, vasto território e grande mercado consumidor. Ele também listou algumas vantagens do interior paulista em relação à Capital, como menor custo de vida, melhor qualidade de vida, mobilidade, especialização da mão de obra, segurança, fácil acesso a rodovias, portos e ferrovias e menor custo para a instalação de empresas.
O gargalo habitacional que está se criando no interior e que servirá de importante fator de investimento nos próximos anos também foi abordado pelo vice-presidente. “O estoque de 25 mil unidades que temos hoje na região irá durar apenas dois anos, o que é absolutamente nada se considerarmos o processo de compra de área, licenciamento do projeto, viabilidade financeira, lançamento, chaves etc. Andando rápido, demora-se de quatro a cinco anos para entregar um novo empreendimento. Nós vamos, seguramente, criar um hiato no interior paulista.”
Ele finalizou a apresentação dizendo que os indicadores mostram que a economia começa a mudar, que a expectativa melhora e os investimentos estão chegando junto com as mudanças de ordem política e econômica. “Com a retomada gradual do crescimento, mesmo que lentamente, devemos preparar o amanhã, porque nosso futuro é certo, seguro e garantido. Vivemos num país de carências. Então, basta ‘fazer acontecer’ e investir nas necessidades de mercado. A melhor forma de prever o futuro é criá-lo”.
Encerrada a apresentação, foi iniciada a sessão de debates, com os diretores regionais Alessandro Nadruz (São José do Rio Preto), Carlos Meschini (Baixada Santista), Fuad Jorge Cury (Campinas), Guido Cussiol Neto (Sorocaba), Marcus Vinicius Santaguita (Grande ABC), Riad Elia Said (Bauru), Angelo Frias Neto (Piracicaba) e José Roberto Orlando (representante do Secovi em Jundiaí).