Durante o Fórum Urbanístico Internacional, que fez parte da programação da Convenção Secovi 2013, o painel “Planejamento Urbano: O projetar para a escala humana” debateu projetos e alternativas para tornar as cidades mais agradáveis para as pessoas.

Para o palestrante Vishaan Chakrabarti, professor da Universidade de Columbia, o primeiro passo para tornar isso possível é unir todas as áreas ligadas ao desenvolvimento urbano em torno de um mesmo princípio: trabalhar para que as cidades sejam mais agradáveis e funcionais para todos. “É preciso deixar as diferenças de lado e pensar que estamos trabalhando em algo em comum”, destacou.

O professor fez uma crítica ao que ele chamou de “esquema americano de consumo exagerado”. Segundo ele, atualmente há um anseio por sempre se comprar algo mais caro e considerado melhor. “Esse é um sonho de uma sociedade classista. Não se trata mais do ‘sonho americano’ de oportunidades, como em décadas anteriores. Ficar mais rico não significa que o planeta vai ficar mais saudável.”

Para ele, uma das grandes consequências desse cenário é o desejo por comprar casas cada vez maiores, que aumentaram a quantidade de subúrbios em muitos municípios dos Estados Unidos, tornando os bairros cada vez mais difusos. “Os EUA se tornaram um país de casas e rodovias enormes, enquanto as famílias estão diminuindo. Isso implica diretamente no trânsito em massa.”

Chakrabarti defende a criação de um novo modelo de desenvolvimento urbano, com cidades mais densas. “Nós não estamos dividindo bem as pessoas do planeta. É preciso criar um novo modelo, que gere menos trânsito e permita que todo mundo tenha mais tempo livre e, consequentemente, maior qualidade de vida.”

Para exemplificar esse cenário, ele trouxe os exemplos de Chicago e Dallas, que estão construindo parques e cidades mais aconchegantes. “Isso é fundamental: focar na densidade, na infraestrutura para atender essas pessoas, no transporte de massa e na criação de mecanismos para que os municípios cresçam no entorno de áreas verdes”, destacou.

Para falar sobre o cenário brasileiro, o painel contou com a presença da palestrante Adriana Levisky, vice-presidente da AsBEA São Paulo. Segundo ela, esse debate vem em um momento propício. “Hoje, no Brasil, discutindo novas bases de requalificação dos espaços urbanos. Mas os riscos de mantermos os mesmos vícios são muito grandes. É essencial encontrar novos modelos e novas formas de nos relacionar”, afirmou.

Em sua opinião, esse processo requer uma estreita colaboração entre o Poder Público, iniciativa privada e a comunidade. E, para exemplificar, ela trouxe o case do Residencial Rubens Lara, construído pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), em Cubatão, que ajudou 8.500 famílias a saírem de áreas de risco ou de preservação ambiental na Serra do Mar.

O painel foi coordenado por João Crestana, presidente do Conselho Consultivo do Secovi-SP e pró-reitor da Universidade Secovi, que ressaltou a importância do planejamento nesse processo. “É fundamental pensarmos as nossas cidades. Precisamos olhar para frente e fazer com que as nossas visões se tornem realidade.”