O segundo dia do evento Horizons 2026, realizado em 7 de maio, teve a realização do painel intitulado “Moradia digna: o desafio que redefine o futuro das cidades”. A discussão centralizou-se na moradia popular como um elemento estruturante das cidades, abordando a necessidade de tratá-la como a base do funcionamento urbano e reconhecendo que ela impacta diretamente a mobilidade, o custo de vida e a qualidade de vida das pessoas.

A habitação esteve no centro dos desafios urbanos debatidos, visto que ainda é frequentemente tratada como uma resposta isolada. Foi destacado no evento que, embora a produção avance, o território revela limites e muitas soluções ainda não alcançam as moradias já ocupadas, ambientes onde as condições de habitabilidade seguem como um desafio real para os moradores. Ao mesmo tempo, pontuou-se que a forma como esses territórios se integram à dinâmica da cidade — englobando serviços, fluxos, oportunidades e usos — passou a ser determinante para sua qualidade e vitalidade.

O encontro propôs uma leitura integrada do tema, conectando viabilidade econômica, qualidade urbana e impacto social. A moderação foi conduzida por Patrícia Bittencourt, gerente de sustentabilidade do Secovi-SP. O painel reuniu profissionais com diferentes perspectivas de atuação: Rafael Ayres, gerente de incorporação da Plano & Plano, focado na produção habitacional em escala e viabilidade econômica; Aron Zylberman, presidente do Instituto Cyrela, que trouxe a visão da atuação no território e nas comunidades; e Fernando Assad, CEO e cofundador da Vivenda, abordando o papel das melhorias habitacionais.

Durante a sessão, o principal ponto de investigação foi a viabilidade de conectar a produção, o território, a melhoria habitacional e a dinâmica urbana em um sistema unificado, capaz de responder ao desafio da moradia digna com escala e qualidade. O direcionamento geral do evento estabeleceu que o desafio atual não se resume apenas a produzir mais unidades, mas sim a conectar diferentes soluções com o intuito de equilibrar qualidade, acesso à cidade, funcionalidade urbana e viabilidade.

A conversa explorou ainda o papel de cada abordagem no enfrentamento desse cenário complexo, evidenciando as contribuições de cada modelo, seus limites e a necessidade intrínseca de uma atuação em múltiplas escalas. Por fim, o painel focou nas decisões práticas e nas condições de avanço necessárias para que as soluções habitacionais operem de forma mais integrada, reforçando a moradia não apenas como um produto, mas como a infraestrutura essencial para a construção de cidades mais funcionais e equilibradas.