Na noite de quarta-feira, 2/10, em Fortaleza (CE), mais de 1.500 pessoas acompanharam a abertura do 85º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic). O evento, que prossegue até o dia 4/10, vai debater o futuro da indústria da construção civil e imobiliária.

Os promotores do evento, considerado o maior do segmento na América Latina, pretendem sair de mais esta edição com propostas e uma agenda positiva para o governo federal.

Antes do início da abertura oficial, crianças do coral Clara Música cantaram o hino nacional em ritmo de samba, e emocionaram os presentes. Iniciativa do Lar Beneficente Clara de Assis, localizado no município de Caucáia, o projeto social recebe apoio de construtoras e entidades setoriais de Fortaleza.

O presidente do Sinduscon-CE, Roberto Sérgio Ferreira, afirmou em seu discurso que 42% dos estudantes cearenses formam-se no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), em São José dos Campos, em São Paulo, e não retornam para o Ceará. “Temos de buscar formas de fazer com que esses talentos voltem ao Estado.”

Ferreira pediu a redução da carga tributária incidente sobre o setor da construção civil e o fim do monopólio dos Cartórios de Registro de Imóveis. “A atividade da construção civil tem alto risco operacional e não pode ficar refém de burocracias. Faço um apelo aos auditores fiscais e ao Ministério do Trabalho, para que ajam com mais realismo quanto à obrigatoriedade da contratação de percentual elevado de deficientes nos canteiros de obras”, ressaltou o dirigente do Sinduscon-CE, que denunciou o elevado número de empresas multadas por não ter profissionais com deficiências em suas obras.

Em discurso com inúmeras citações a pensadores, Ferreira arrancou aplausos do público quando mencionou frase do poeta Patativa: “Povo padece, mas não esmorece”.

Novo Brasil – O presidente da CBIC, Paulo Safady Simão, falou que o Brasil mudou para melhor e é preciso reconhecer essa nova realidade. “Nesses últimos anos, 28 milhões de brasileiros saíram da linha de pobreza extrema. Hoje, a população está mais exigente e quer melhoria da qualidade dos serviços públicos”, lembrou, fazendo referência às manifestações que aconteceram em todo o País, no mês de junho.

Dois temas terão destaque nesta edição do Enic: melhoria do ambiente de negócios e da imagem do setor. “Temos de desatar esses nós, sob o risco de andar para trás a partir de agora”, disse.

Simão enumerou os problemas do setor, com destaque para a corrupção, a informalidade, os gargalos do meio ambiente. “Não seria o momento de definirmos quanto a uma possível autorregulamentação do setor?”, questionou, pedindo a todos que reflitam sobre isso, porque é mais do que necessário esclarecer a opinião pública acerca das atividades do setor.

Outro problema destacado pelo presidente da CBIC: o Ministério do Trabalho, que tem autuado empresas com base em denúncias de trabalho escravo. “Depois de denegrir a imagem do setor e da empresa, descobre-se que as denúncias são infundadas, mas o estrago já está feito. Devemos combater os abusos”, enfatizou Simão. O dirigente concluiu dizendo que mais importante do que mudar as leis é fazer com que elas sejam corretamente aplicadas.

Metas – Em seguida, o presidente da Caixa, Jorge Hereda, apresentou alguns números alcançados pelo agente financeiro, com destaque para a contratação de R$ 100 bilhões até o mês de setembro em crédito imobiliário. Conforme Hereda, esse volume representa um aumento de 35% nas contratações, comparado com o mesmo período de 2012. “Vamos continuar nessa trajetória e garantir a sustentabilidade do crédito imobiliário.”

De acordo com o dirigente, a Caixa começa a operar com os novos valores de financiamento pelo SFH (Sistema Financeiro de Habitação) a partir de hoje.

O ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, disse que a construção civil é importante sob o ponto de vista de investimentos, infraestrutura e saneamento e de parceria com o governo. “Montamos uma agenda positiva com o segmento da construção civil, com responsabilidade compartilhada. Juntos, somos capazes de consolidar o futuro do Minha Casa, Minha Vida, um programa de Estado que veio para ficar. O futuro permite afirmar que o programa é do povo.”

A ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, aprovou a ideia de que as médias empresas possam participar de concessões públicas. “Elas serão bem-vindas. Afinal, ninguém nasce grande.”

Ela disse que o governo seguirá avançando e cultivando o diálogo permanente com todos os setores, em especial o da construção civil.

Por fim, o governador Cid Gomes, convidou todos a apreciarem as maravilhas do Ceará, que tem o 12º PIB do País e é o quarto Estado em volume de investimentos com o governo federal. Ele lembrou que, em 1997, a Federação tinha R$ 8 bilhões para investir em todo o País. “Esse valor é o que o governo federal tem em parcerias com o Ceará neste momento. O Brasil mudou.”

Realizado pela quarta vez em Fortaleza, o Enic reserva um espaço especial em sua abertura oficial para premiar os vencedores do Prêmio CBIC de Responsabilidade Social, que está em sua 10ª edição.

Prêmio CBIC de Responsabilidade Social – Na noite do dia 2/10, a presidente do Fórum de Ação Social e Cidadania da CBIC, Maria Helena Mauad – também presidente do Ampliar –, entregou os prêmios em companhia do presidente Paulo Safady Simão.

Na Categoria Empresa, foi premiada em primeiro lugar a Toctao Engenharia, com o projeto “Gestão da responsabilidade ambiental”. Em segundo lugar, a empresa Supricel Construtora e Incorporadora, com “Reciclando é que se constrói”.

No Destaque Social, José Eugênio Gizzi, vice-presidente do Sinduscon-PR, recebeu o prêmio pelo trabalho “Ações desenvolvidas pelo Seconci-Curitiba”, do Seconci-Curitiba. E na Categoria Trabalhador Modelo, Elizete Delavadl foi premiada. Ela trabalha na Zagonel Construtora, de Lajeado/RS.