Em iniciativa da vice-presidência de Urbanismo Metropolitano em parceria com a vice-presidência de Empreendedorismo e Inovação e organizado pela Universidade Corporativa Secovi-SP nesta segunda-feira, 27 de abril, o “Encontro FAAP e Secovi-SP”, evento marcado pela convergência entre a academia, o setor imobiliário e o poder público. Com o objetivo de apresentar ferramentas práticas de planejamento urbano e estreitar laços profissionais, o encontro reuniu lideranças do setor e especialistas em geoprocessamento para uma plateia de estudantes de arquitetura e outras áreas da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).
A abertura foi conduzida por Roberta Simeoni, diretora de Urbanismo do Secovi-SP. Em sua fala, ela destacou a importância de compreender o setor além do projeto arquitetônico puro. “O ciclo da incorporação imobiliária… não começa lá no projeto de arquitetura… Ele começa um pouquinho antes. Ele começa numa viabilidade financeira”, explicou Roberta. Ela enfatizou o privilégio dos alunos presentes, afirmando que “de cada 10 empresas do setor imobiliário, 11 gostariam de estar aqui hoje” devido ao acesso direto às ferramentas que seriam apresentadas.
Dando continuidade às saudações, Claudio Bernardes, vice-presidente de Urbanismo Metropolitano do Secovi-SP, reforçou a necessidade da união entre a universidade e o mercado. Relembrando parcerias internacionais, Bernardes destacou como dados geográficos são fundamentais para resolver problemas urbanos. “O mercado tem que ser utilizado como uma ferramenta pra ajudar a produzir a cidade”, afirmou, ressaltando que a produção residencial representa cerca de 70% a 75% dos edifícios de uma metrópole.
Logo após, Rodrigo Abrahão, vice-presidente de Empreendedorismo e Inovação, trouxe a perspectiva da tecnologia e do empreendedorismo. Ele revelou que o número de startups no setor cresceu exponencialmente, chegando a 1.200 empresas mapeadas. Abrahão explicou que o Secovi busca integrar dados de diversas fontes, como Metrô, CPTM e operadoras de telefonia, para “entender a nossa cidade… porque é algo extremamente complexo”.
Retornando à palavra, Roberta Simeoni apresentou um panorama institucional da entidade, que completa 80 anos em 2026. Ela detalhou a estrutura do Secovi, que conta com 70 mil empresas associadas, e destacou o “Portal de Empregabilidade”, uma ferramenta para conectar estudantes a estágios de qualidade. Roberta também convidou os alunos para eventos futuros, como o debate sobre “Planejamento Urbano e Feminicídio”, marcado para o dia 21 de maio, focado em criar cidades mais seguras para as mulheres.
O professor Marcelo de A Westermann, representando a FAAP, expressou sua satisfação com a parceria. Com 27 anos de docência, Westermann explicou a importância da “Prática Extensionista”, intitulada por ele como Urban Lab. Ele defendeu uma visão humanista da profissão: “O arquiteto não faz prédio… as cidades e comunidades sustentáveis, assim como a ODS-11 descreve… esse é o nosso ponto de partida”. O professor também mencionou o uso pedagógico do GeoSampa, revelando que seus alunos chegam a escrever cartas ao geógrafo Milton Santos para relatar suas experiências com dados urbanos.
O ponto central do evento foi a apresentação técnica da equipe da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL). Danilo Mizuta, Coordenador do GeoInfo, desmistificou o conceito do GeoSampa, definindo-o não apenas como um software, mas como uma “infraestrutura de dados” e uma ferramenta de “transparência ativa”. Mizuta foi enfático sobre a natureza pública do sistema: “O GeoSampa não é de graça… é dinheiro de imposto… é um produto de vocês”. Ele explicou que o sistema utiliza processos de ETL (Extract, Transform and Load) para integrar informações de diversas secretarias em uma linguagem comum.
Tiago Regueira, arquiteto da equipe, trouxe um histórico do mapeamento na capital, desde o mapa de 1930 até a criação do portal internet em 2016. Ele anunciou uma novidade aguardada: “O GeoSampa está em vias de ser modernizado e dentro de alguns meses… vai poder ser usado em celular”. Tiago também demonstrou tecnologias como o LIDAR, um laser que permite visualizar a volumetria da cidade em 3D.
Encerrando as apresentações, a arquiteta Ana Júlia Brandão detalhou aplicações práticas do sistema que vão além do urbanismo tradicional, como estudos da Faculdade de Saúde Pública da USP que relacionam a proximidade de parques à melhoria na saúde dos cidadãos. Ela também mencionou o projeto “GeoSampa nas Escolas”, que capacita alunos da rede pública. Ana Júlia finalizou com uma provocação ética: “Precisamos trabalhar com dados de maneira responsável, ética, crítica… para poder entender o que a gente está trabalhando”.