Em reunião ocorrida em 26/11, quatro integrantes do NE – Carolina Ferreira, coordenadora-geral, Marcia Taques, Roberta Bigucci e Helena Camargo, coordenadoras adjuntas – fizeram um relato da viagem à Colômbia, em outubro deste ano. 

Elas contaram que a primeira parada do grupo foi Medellín, que passou por muitas mudanças nos últimos 20 anos, especialmente no que diz respeito à violência urbana. A taxa de homicídios, por exemplo, caiu quase 80% entre 1991 e 2010.

A cidade passou por reformas estruturais, como construção de bibliotecas, parques e escolas em vizinhanças mais pobres e o aumento dos transportes públicos (com destaque para o metrô e bondes) ligando esses bairros ao centro comercial, o que aumenta a inclusão da população.

A cidade passou por reformas estruturais, como construção de bibliotecas, parques e escolas em vizinhanças mais pobres e o aumento dos transportes públicos (com destaque para o metrô e bondes) ligando esses bairros ao centro comercial, o que aumenta a inclusão da população.

Do medo à esperança – Durante a exposição, Márcia lembrou que, no final dos anos 1980, Medellin controlava o tráfico de cocaína nas Américas. “Pablo Escobar era o dono dos morros de Medellin, uma das cidades mais violentas do mundo. condenado a prisão domiciliar, ele viveu nos morros por dois anos. Quando ele resolveu sair, foi morto pela policial americana, o que desestruturou o tráfico e foi possível uma intervenção pública”, contou Márcia, que lembrou o slogan “.

Foi justamente nesta época que surgiu Fajardo, um professor de matématíca, que começou a articular um movimento, envolvendo empresários e lideranças comunitárias em torno de um projeto de cidade. Em 2003, o sucesso do movimento levou elegeu Fajardo para a prefeitura. Seu governo foi marcado pela proposta de construir os melhores espaços públicos nas áreas mais pobres da cidade.

“Percebemos que a cidade tem muitos problemas parecidos com os nossos”, observou Carolina. “Ao invés de colocar a polícia para pacificar, primeiro vou levada infraestrutura para o morro como escolas, hospitais e só depois o policionamento. E a população percebeu que havia mesmo o interesse público de melhorar”, adicionou Roberta. 

Metrocable – Desde então, Medellin implementou varias projetos urbanísticos como o uso de teleféricos como solução de transporte. O Metrocable interliga o morro com o metrô. Além de diminuir em mais de uma hora, às vezes, o tempo de transporte dos moradores, o Metrocable também criou uma rota turística”, disse.

Medellín se assenta a partir da parte baixa de um vale formado por duas encostas muito altas. Junto ao rio Medellín, que corre no meio deste vale, foram dispostas as linhas de trem e, mais recentemente a linha do metrô elevado. “São várias estações interligadas no morro”, informou Roberta. “Nós seguimos de Metrocable para visitar uma região de produção de flores. Foi muito bacana”, complementou Márcia, que também chamou a atenção para uma biblioteca. “É um espaço de convivência pública, de troca de experiências e ideias”, destacou. 

Carolina chamou a atenção para o fato de “o Metrocable ter mudado a vida das pessoas. Mesmo tendo problemas ainda com as facções criminosas, a população cuida do equipamento”, afirmou. Elas também salientaram a importância da interligação entre os morros e da transformação das vias públicas.

Segundo elas, as ruas muito estreitas e inclinadas não permitiam que veículos de maior parte circulem pelo bairro. O grupo também visitou um conjunto habitacional de interesse social construído em estrutura de concreto armado com vedação de tijolos a vista.

“Nós já viajamos para outros países como Peru e Estados Unidos para ver o mercado imobiliário, a sociedades, as mudanças. É muito enriquecedor. Mas, como estarão as cidades daqui a 100 anos? Nós somos parte desta história de construção e de mudança urbana.  O que temos que fazer para chegar lá? Não basta olhar o que foi feito, precisamos fazer. Olhar para frente e enxergar as soluções. Que tal fazermos um exercício de imaginar as nossas cidades daqui a algumas décadas?”, indagou Helena Camargo, concluindo que “é preciso olhar para frente e enxergar as soluções. Somar esforços e buscar ideias criativas e inovadoras que vão mudar as cidades.”