
A Caixa Econômica Federal deve anunciar até o mês de junho deste ano um produto de solução de financiamento à produção de lote urbanizado. “Estamos trabalhando nisso há muito tempo”, disse o vice-presidente de Habitação do banco, Nelson de Souza. A medida atende a antigo pleito do Secovi-SP, que reiteradamente subsidia tecnicamente instituições financeiras para que possam conceber linhas de crédito ao produtor de lote urbano. Hoje, não há crédito que atenda a essa modalidade.
De acordo com o executivo, a Caixa, detentora de 67,5% dos financiamentos imobiliários brasileiros, também deve colocar em operação até junho o que vem sendo chamado de crédito customizado. “Teremos taxas de juros customizadas, de acordo com o risco do cliente e da carteira”, anunciou. Como exemplo, mencionou mutuários que oferecem um valor de entrada maior, sobrando ao banco um percentual menor para financiar. Como, em tese, esse tomador oferece menos risco, a taxa de seu contrato poderá ser menor.
Ambas as medidas foram anunciadas pelo vice-presidente da instituição financeira em reunião da Política Olho no Olho, realizada na sede do Secovi-SP, em 10/4, com a presença de empresários do setor imobiliário.

Na ocasião, Flavio Amary, presidente do Secovi-SP, colocou em pauta pontos que, se melhorados, propiciarão ambiente de negócios mais favorável ao mercado. “Gostaríamos de saber quando a Caixa vai reduzir os juros de financiamento, pois a Selic está caindo. Essa redução seria uma injeção financeira no mercado imobiliário”, disse. Flexibilidade no arrolamento de dívidas de empresas que venham a precisar estender seus contratos com o banco, aperfeiçoamento dos processos e desburocratização e, por fim, uma linha de financiamento ao mercado de loteamento também foram apontados pelo presidente.
Souza adiantou que, no curto prazo, não há como o banco reduzir os juros. Ainda, listou medidas já implementadas pela Caixa no sentido de facilitar o pagamento de dívidas por parte de empresas que tomaram crédito no banco e se demonstrou entusiasmado em relação a um projeto do banco que deve tornar o processo de financiamento imobiliário 100% eletrônico.

Para o vice-presidente, ainda há espaço para que a proporção do crédito imobiliário em relação ao PIB seja ampliada no Brasil. “O Brasil empresta 9,7% de seu PIB em financiamento imobiliário. No Reino Unido, as operações de crédito chegam a 70%. No Chile, a 20,2%, e na África do Sul, a 22,5%”, comparou.
Para ele, existem razões para otimismo em relação a 2017. “Não faltarão recursos para o financiamento imobiliário. Só neste primeiro trimestre, o volume de crédito concedido foi da ordem de R$ 18 bilhões, número 24% superior ao mesmo período do ano passado”, disse Souza. Para este ano, o banco prevê liberar R$ 84 bilhões em operações para imóveis.