A construção civil brasileira é, historicamente, um setor de maioria masculina. Mas os números começam a contar outra história. Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), as mulheres representam hoje 11,5% da força de trabalho no setor, uma fatia ainda pequena, mas que cresceu 184% desde 2006. Nos últimos cinco anos, os registros profissionais femininos no Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) avançaram 36%, chegando a mais de 240 mil engenheiras em atuação no país.
Esse movimento já se reflete na região de Bauru. Em março, a construção civil gerou 790 novas vagas com carteira assinada nos 40 municípios abrangidos pela diretoria regional do Secovi-SP. Dessas, 73 foram ocupadas por mulheres, o equivalente a 9,2% do total, em linha com a tendência nacional de inserção crescente, ainda que gradual.
O dado é relevante, mas talvez a pergunta que ele provoque seja ainda mais importante: o mercado está preparado para absorver esses talentos? Mais do que acompanhar essa transformação, é preciso criar condições concretas para sustentá-la. Isso significa ampliar oportunidades de liderança, fortalecer ambientes corporativos inclusivos e compreender que diversidade não é apenas uma agenda social, mas também um fator de inovação, eficiência e qualificação das empresas. Organizações mais plurais tendem, inclusive, a compreender melhor as dinâmicas urbanas, sociais e humanas que atravessam o mercado imobiliário.
Essa é uma responsabilidade que o Secovi-SP já incorporou à sua atuação. Recentemente, a entidade lançou o Núcleo de Desenvolvimento de Mulheres, programa de mentoria voltado à formação de lideranças femininas para o setor imobiliário. No próximo dia 21 de maio, promove também o encontro “Mulheres, Mães e as Cidades”, iniciativa que aproxima urbanismo, segurança feminina e combate à violência contra a mulher, ampliando a discussão para além do ambiente corporativo.
A construção civil vive um momento de renovação. Nesse contexto, ampliar a participação feminina não é apenas uma pauta de equidade, mas também de desenvolvimento setorial. O futuro das cidades passa, necessariamente, pela capacidade de o mercado reconhecer talentos, abrir espaços e construir oportunidades com mais diversidade e representatividade.