Em entrevista à CBN Santos, o diretor regional Carlos Meschini destacou a força do setor na região, a tendência dos condomínios-clube e a importância da profissionalização dos síndicos
A Baixada Santista se consolidou como o polo de maior força do setor imobiliário fora da capital paulista. A análise é de Carlos Meschini, diretor regional do Secovi-SP, que participou do Jornal CBN Santos, dia 20/3, para debater o cenário de expansão urbana, as novas tendências de moradia e a complexidade crescente de administrar condomínios que abrigam milhares de pessoas.
Meschini ressaltou o protagonismo da região. “A Baixada Santista é, no estado inteiro, a que tem mais força no setor, ou seja, tem um preço muito maior, é a cidade que mais constrói”, afirmou, destacando que os índices locais superam grandes polos do interior.
Com Santos carregando o título de cidade mais verticalizada do país, a escassez de terrenos nos bairros tradicionais tem encarecido as obras e empurrado os investimentos para novas áreas, de forma estratégica, para a recuperação do Centro Histórico e bairros como Macuco, Estuário e Vila Nova.
O diretor citou megaprojetos recém-anunciados, como empreendimentos com mais de mil apartamentos. Para ele, essa é a chave principal para a retomada econômica da área central. “O centro tá muito abandonado já há muitos anos, e a solução é a construção civil”, avaliou. Ele lembrou ainda do forte impacto socioeconômico desse movimento local, que resulta em “muitos empregos gerados, com muita obra”.
Outro ponto de virada no mercado da Baixada é o perfil dos novos imóveis e seus compradores. O mercado imobiliário tem reduzido a metragem interna dos apartamentos, enquanto expande as áreas comuns com estruturas de lazer gigantescas. Esse formato atende diretamente aos novos arranjos sociais.
Segundo Meschini, o Secovi-SP identificou uma forte entrada de pessoas de 25 a 35 anos no mercado, um público que valoriza a dinâmica acelerada. “Hoje em dia, os jovens não querem ficar cuidando de casa, querem praticidade. Chegar em casa o mais rápido possível, espaço menor, com muito mais praticidade, sem precisar de faxineira”, pontuou. O conceito permite que o morador viva a experiência de um clube completo sem sair dos portões de casa.
No entanto, concentrar mais de quatro mil pessoas em um único endereço traz desafios logísticos e comportamentais altíssimos. Lidar com disputas por vagas de garagem, monitoramento de câmeras de segurança, leis de proteção de dados e orçamentos milionários exige profundo conhecimento técnico.
“A cidade mais verticalizada do Brasil é a que tem mais condomínios”, lembrou. Diante da alta carga de responsabilidade civil e criminal em torno do CNPJ do prédio, a figura do síndico amador está perdendo espaço. “Eu não vejo outro caminho a ser um síndico profissional. Ele vale muito mais a pena, ele é profissional. Ele é cobrado, ele tem que apresentar números”, explicou.
Apesar do bom momento econômico do setor, Meschini manteve cautela em relação à infraestrutura de Santos, que demanda constante planejamento do poder público para suportar tamanha densidade habitacional. “A gente tem a maior verticalização do Brasil, mas também é uma ilha e a parte de ventilação, a parte toda de logística, a parte de esgoto, elétrica, é complicado, é bem complicado e isso a gente tem que discutir sempre”, concluiu.