No interior e no litoral de São Paulo, têm sido alcançados notáveis índices de crescimento econômico, imobiliário e populacional nos últimos anos. Essas regiões, juntas, concentram 64% do PIB paulista e 21% do PIB nacional. O desenvolvimento e as oportunidades resultantes deste cenário foram debatidos no painel “O Mercado Imobiliário no Interior”, no dia 19/9, durante a Convenção Secovi 2013.
Segundo Flavio Amary, vice-presidente do Interior do Secovi-SP e diretor regional de Sorocaba, esse desenvolvimento traz também grandes desafios, principalmente no que diz respeito à mobilidade. “Já podemos perceber um processo parecido com o vivenciado pela Capital há algum tempo: a migração de pessoas para municípios vizinhos”.
Assim, é preciso pensar, desde já, no planejamento urbano para que a mobilidade não se torne um problema, já que a maior parte das pessoas que mudam para esses locais continuam trabalhando nos empregos anteriores. “Em São Paulo, por exemplo, ocorre um milhão de viagens diariamente de pessoas que trabalham na Capital, mas moram no entorno.”
O painel foi moderado pelo Diretor de Marketing da Regional Secovi em Bauru, Renato Delicato Zaiden, Presidente da Associação Paulista de Jornais e Diretor do Grupo Cidade Comunicação. Ele ressaltou a importância do setor imobiliário para a economia nacional e a força que o Interior tem ganhado. “Hoje todos percebem a nossa força. A distância não se mede mais em quilômetros, e sim em tempo. Por isso, não podemos mais pensar somente em nossas cidades, e sim nas regiões como um todo”, defendeu.
Além dessa questão, o painel contou com apresentações de representantes de diversas regiões do Estado, abordando o cenário econômico e imobiliário de cada uma, além das perspectivas e oportunidades.
Sorocaba – Segundo Flavio Amary, o segmento de shopping centers está em destaque no município, com diversos empreendimentos inaugurados recentemente e outros que serão finalizados em breve. “No segmento residencial, há muitos lançamentos do programa Minha Casa, Minha Vida, inclusive para as faixas de renda mais baixas”, contou.
Para ele, alguns dos fatores que justificam o grande crescimento na cidade é a qualidade de vida e a segurança, que atraem novos moradores, além do aumento da renda da população.
Vale do Paraíba – O diretor regional do Secovi no Vale do Paraíba, Frederico Marcondes Cesar, apresentou os dados do setor imobiliário e da economia local. “Hoje, há 15 mil unidades sendo produzidas em São José dos Campos. Ou seja, a cidade tem uma oferta de imóveis equivalente a 40% do que é lançado na Capital, o que demonstra o quanto o mercado de São José dos Campos está aquecido.”
O diretor destacou, ainda, a importância crescente do Vale, que se tornou uma região metropolitana em 2012, formada pela união de 39 municípios agrupados em cinco sub-regiões.
São José do Rio Preto – Alessandro Nadruz, diretor regional de São José do Rio Preto, afirmou que uma das principais vocações da região é para loteamentos e condomínios horizontais. Prova disso é que a cidade de Rio Preto foi a que teve o maior número de aprovações desse tipo de empreendimentos no Graprohab em 2012.
“Outros fatores positivos são a facilidade logística e a questão da educação, com a futura instalação de uma nova universidade, que funcionará no mesmo local que um shopping center”, disse.
Piracicaba – Para falar sobre a região, esteve presente o diretor Angelo Frias Neto. Segundo ele, Piracicaba é um grande polo industrial e econômico, que hoje tem três distritos industriais e terá mais um em breve.
No setor imobiliário, ele ressaltou que as perspectivas são positivas. “Estão previstos muitos lançamentos na região.”
Jundiaí – Carlos Pelegrine, presidente da Proempi, entidade que representa o Secovi-SP na região, afirmou que a criação do Aglomerado Urbano que contempla os sete municípios vizinhos possibilitou um crescimento acelerado e grande prosperidade na região.
“Além disso, está prevista a implantação do trem expresso até Jundiaí, que será um grande benefício para Jundiaí e todas as cidades próximas”, afirmou.
Campinas – O diretor regional do Secovi em Campinas, Fuad Jorge Cury, falou sobre o mercado imobiliário campineiro e as oportunidades na região. Em sua avaliação, o município se abalou com a recente crise política, mas está em recuperação.
“Mesmo com a paralisação do setor imobiliário de Campinas nos últimos anos por conta das crises políticas vivenciadas pela cidade, as expectativas de crescimento são boas. O município é referência e uma das principais cidades do interior paulista. Seu potencial é grande e o mercado responde a essas oportunidades”, afirma o Diretor Regional do Secovi em Campinas, Fuad Jorge Cury.
Bauru – Para falar sobre a região de Bauru, estiveram presentes três representantes da Regional: o Diretor Geral, Riad Elia Said, o Coordenador do Grupo de Novos Empreendedores, Bruno Pegorin, e o Diretor de Relações Públicas, Rodrigo Said. Eles ressaltaram as principais atividades econômicas e características da região.
“Há uma grande diversificação de indústrias, com destaque para áreas como usinagem, celulose, petroquímica, polo calçadista e outros. O comércio também tem muita força e representa 79% do PIB. Além disso, a posição estratégica garante um grande viés logístico para a região”, destacou Pegorin, que também mencionou a grande importância dada à educação: “Somente para graduação, são 20 mil vagas por ano.”
Baixada Santista – No litoral, o diretor executivo do Secovi-SP, Carlos Meschini, afirmou que o setor imobiliário vive um bom momento, com muitas aprovações recentes de empreendimentos que serão lançados em breve. “No entanto, em Santos, temos algumas dificuldades, como a escassez de terrenos”, alertou.
Segundo ele, um município que também merece destaque é a Praia Grande, que está com o mercado e a economia fortalecidos.
ABC – Milton Bigucci, presidente da Acigabc e diretor geral do Secovi na região, contou que, dos sete municípios que compõem o Grande ABC, São Bernardo corresponde a um terço do mercado, e Santo André a outro terço.
Ele assegura que a região recebeu uma quantidade excessiva de lançamentos nos últimos anos, mas agora passa por um momento de equilíbrio. “Tivemos um decréscimo no número de lançamentos do primeiro semestre e agora estão sendo vendidos os estoques. O resultado de vendas foi o melhor dos últimos quatro anos”, disse.