Em entrevista ao Estúdio CBN, Daniel Aranovich, diretor de Intermediação Imobiliária e Marketing da Regional Secovi-SP em Campinas, detalhou como a mudança nos limites de renda e valores dos imóveis deve aquecer o setor
O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou recentemente a ampliação dos limites de renda e dos valores de financiamento do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Para traduzir o impacto prático dessa alteração, o programa Estúdio CBN, da CBN Campinas, recebeu, no dia 24/3, Daniel Aranovich, diretor de Intermediação Imobiliária e Marketing da Regional Secovi-SP em Campinas.
Durante a entrevista, ele explicou que a revisão atinge, na prática, duas frentes principais: o teto do valor do imóvel financiado e a renda familiar exigida em diferentes faixas do programa.
A alteração mais sensível, segundo Aranovich, ocorreu na base do programa para corrigir o descompasso criado pela inflação e pelo aumento do salário mínimo. “Eles cuidaram das faixas principais. Vamos pegar, por exemplo, a faixa um, que é a de renda menor. Eles subiram a renda máxima, que era de R$ 2.800 para até R$ 3.200, e o valor do imóvel subiu de R$ 264 mil para R$ 275 mil. Eles ajustaram isso muito em função do aumento do INCC”, detalhou.
Se por um lado a ampliação insere um número maior de famílias na possibilidade de financiamento com taxas de juros mais baixas – travadas em torno de 10,5% ao ano –, por outro, ela cria um fenômeno de mercado que exige atenção dos compradores.
Aranovich explicou que a inclusão de mais interessados em uma mesma oferta de imóveis pode gerar um movimento de alta nos preços, especialmente na faixa quatro do programa, que agora atinge imóveis de até R$ 600 mil.
“A partir de agora, os imóveis podem sofrer um aumento de valor por conta da lei simples de oferta e demanda. Como mais gente agora pode comprar o imóvel que antes ou não tinha renda ou os valores de imóvel estavam um pouco abaixo, mais gente deve começar esse processo de compra”, explicou. Ele completou a linha de raciocínio: “O mesmo imóvel pode ser comprado com uma renda menor e uma parcela mais baixa. Mais gente indo à compra, existe uma chance sim do imóvel subir de valor, porque eu tenho menos imóvel agora em oferta e mais compradores no mercado”.
Apesar dessa possível elevação, a expectativa do setor da construção civil é altamente otimista. Com a taxa Selic ainda pressionando os financiamentos tradicionais, as construtoras devem direcionar o foco para o segmento econômico. “Quando existe uma oportunidade de encaixar esses novos imóveis nessa faixa em que eu uso esse benefício dos juros reduzidos, vai existir sim o movimento das incorporadoras em colocarem cada vez mais imóveis nessa faixa e tentar usar um pouco desse mercado”, avaliou.
Outro ponto forte destacado foi o impacto indireto na economia local e na mobilidade do mercado de imóveis usados. Daniel lembrou que o MCMV também engloba unidades de terceiros.
“É isso que faz essa economia, esse nosso mercado, funcionar. Se eu tenho um imóvel de 300 ou 400 mil reais e antes não conseguia vender porque o comprador não tinha renda, agora eu encontro o comprador com mais facilidade. Eu consigo vender o meu imóvel para ele e comprar o imóvel maior que eu estava segurando”, exemplificou.
Para Aranovich, as medidas de ajuste no programa funcionam como uma engrenagem vital para a retomada consistente do setor. “Essa nova regra que se fez vai ajudar muito o mercado imobiliário a voltar a ter força, gerar mais empregos, gerar renda e voltar a fazer essa roda girar que ficou um pouquinho mais travada nos últimos anos”, pontuou.
Ele lembrou que a demanda habitacional no Brasil é gigantesca e necessita de incentivos contínuos: “Isso é um empurrão, ele ajuda a tirar da inércia, mas não resolve. Tem que ser constante. Não pode se colocar um benefício e mudar”.
Para quem deseja aproveitar as novas condições e dar o primeiro passo, a recomendação é clara: a utilização do FGTS é válida apenas para a compra do primeiro imóvel. O interessado deve procurar a Caixa Econômica Federal para passar por uma análise de crédito. “Tem que procurar a Caixa e ver o quanto consegue financiar. Aí sim, encontrar o imóvel que faça sentido dentro desse valor que a Caixa diz que tem de renda e subsídio para usar”, concluiu.