Especialistas analisaram dados do mercado imobiliário e medidas necessárias para garantir a sustentabilidade do crédito imobiliário

 

O painel “Panorama de Mercado e o que pode mudar no SFH” abriu o segundo dia da Convenção Secovi 2025 nesta quarta-feira, 20/8. O debate, ancorado por Ely Wertheim, presidente executivo do Secovi-SP, contou com a participação de Ubirajara Freitas, vice-presidente de Estratégias de Mercado da entidade; Celso Petrucci, economista-chefe; Sandro Gamba, presidente da Abecip; e Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain Inteligência Estratégica.

Ely Wertheim abriu o painel enfatizando a importância da presença de todos para o sucesso da Convenção Secovi, destacando o trabalho da equipe interna do Secovi na organização do evento.

Celso Petrucci apresentou um panorama do mercado imobiliário de São Paulo, revelando que o programa Minha Casa, Minha Vida responde por 72% dos lançamentos. Segundo ele, houve uma estabilidade esperada para 2025, mas alertou para a queda vendas de imóveis de alto padrão, devido à taxa Selic de 15%. O economista-chefe do Secovi-SP disse ainda que a demanda por imóveis ainda supera a oferta, o que demonstra potencial de crescimento para o setor.

Fábio Tadeu compartilhou insights de uma pesquisa realizada com 170 empresários, indicando que “86% das empresas consideram que está mais difícil [34% muito difícil e 52% mais difícil]” obter financiamento para obras. “As empresas buscam alternativas ao crédito bancário em investidores e no mercado de capitais, apesar dos custos. A pesquisa confirmou que “a taxa de juros é a principal barreira para novos lançamentos.”

Sandro Gamba abordou a proposta de um novo modelo para o SFH (Sistema Financeiro da Habitação). “O problema do setor não é a falta de recursos, mas o custo do financiamento”, disse, expressando preocupação com a possibilidade de mudanças abruptas em um sistema consolidado há anos. A caderneta de poupança, segundo ele, “ainda terá relevância por mais de duas décadas. Gamba defendeu um debate evolutivo, não uma ruptura radical. “É muito bem-vindo um novo sistema financiamento para a habitação, mas sem necessidade alguma de um cavalo de pau. Nós não temos que destruir um sistema que funciona muito bem há 60 anos”. Ponderou.

Ubirajara Freitas complementou a discussão, afirmando que o crédito imobiliário está em transição, com a poupança perdendo representatividade e a LCI (Letra de Crédito Imobiliário) ganhando destaque. O empresário destacou que a estrutura de funding está se diversificando, exigindo que os incorporadores busquem recursos em múltiplas fontes. “A discussão sobre o novo modelo do Banco Central é positiva e oportuna, mas há necessidade de segurança para o setor.”

A Convenção Secovi-SP 2025 tem patrocínio de Atlas Schindler, Brain Inteligência Estratégica, Grupo Souza Lima, BTG Pactual Cidade Center Norte, Crowe Macro, Comgás, Morada AI, Delta Omega, Desonera, Construct In, FastBuilt, Júpiter Desentupidora, Modulocker, Sicoob Imob, Tracf Tech e Viva a Cidade. Apoio: Blu, Tecomat Engenharia e Tuim. Media Partner: Síndiconet. App Yazo.

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