No dia 26/5, durante reunião estratégica da vice-presidência do Interior do Secovi-SP, liderada pelo vice-presidente Frederico Marcondes Cesar, diretores regionais, lideranças e assessores debateram os novos rumos do setor. A pauta abrangeu desde a capacitação de novas lideranças e a estruturação de grandes eventos regionais até os complexos desafios jurídicos que ameaçam a liberdade econômica.

A abertura dos trabalhos ressaltou magnitude do trabalho desenvolvido pelo Secovi-SP fora da capital. “Para vocês terem ideia, nós realizamos em média 140 a 150 reuniões, eventos e apoio a outras instituições. A gente consegue mobilizar e levar para os nossos eventos em torno de 30 a 40 mil pessoas”, destacou Frederico Marcondes Cesar.

O tom do encontro foi de aproximação, com o anúncio da abertura destas reuniões para todo o quadro associativo. “A partir de hoje nós estamos estendendo e abrindo essa nossa reunião para os associados também do interior de São Paulo, como também de forma online”, completou o vice-presidente. Ele também destacou o papel fundamental da comunicação para a ponta final da cadeia: “O porquê da necessidade de nós reforçarmos a participação da imprensa? Para que possamos fazer com que essas ações nossas cheguem a um destino final, que são os nossos clientes”.

A primeira apresentação foi do recém-lançado Núcleo de Desenvolvimento de Mulheres do Secovi-SP, conduzida pela Jéssica Dias, gestora Adminstrativa, Estratégica e Jurídica do Secovi-SP. O projeto surge como uma resposta estruturada a uma cobrança real do mercado. “Em 2024, éramos muito cobrados porque o Secovi-SP tinha muito mais homens, porque na rede social só apareciam os homens, onde estavam as mulheres de Secovi-SP?”, indagou.

Baseada em dados concretos, a iniciativa visa equilibrar a balança no topo das organizações. “Uma recente pesquisa da McKinsey apontou que, quando os profissionais contam com patrocinadores de carreira, eles alcançam mais promoções. Acontece que mulheres não têm esse patrocínio na mesma proporção que os homens”, revelou Jéssica. “Entendemos que o gargalo não é uma competência técnica, e sim o acesso a espaços decisórios”.

Frederico validou o movimento observando a própria sala de reuniões: “Veja a nossa reunião aqui, nós temos aqui 50% de público feminino. E vem realmente acontecendo nas nossas regionais, nossas diretoras, então é um trabalho muito atuante das mulheres”, pontuou.

A diretora Regional  do Secovi-SP em São José dos Campos, Angela Paiva,  reforçou a importância do amparo institucional: “Muitas vezes elas têm o conhecimento técnico, mas talvez falte essa sensibilidade empresarial que eu tenho certeza que os homens e as mulheres mais experientes poderão contribuir para que essas mulheres realmente cresçam e sejam protagonistas”.

Refletindo a maturidade e a força econômica do mercado fora da capital, Kelma Camargo, diretora Regional do Secovi-SP em Campinas, detalhou a estruturação do Imobicon, um projeto com formato inovador de convenção regional que fará sua estreia em 30 de julho.

A diretora explicou que o evento foi desenhado para respeitar as particularidades do público local. “O evento tem que ter a cara do local onde vai acontecer. Não é porque em São Paulo fica aqui até de noite que no interior vai ficar até de noite. O interior não fica até de noite num evento, não adianta porque isso não acontece”, observou Kelma.

A estrutura do Imobicon será robusta: “Nós devemos fazer quatro painéis, quatro salas de discussões: uma para condomínio, loteamentos, incorporações e uma econômica, além de outra só pra falar sobre a legislação tributária”, disse.

Ela também alertou as demais regionais sobre a necessidade de viabilidade financeira descentralizada: “Não pode ficar parado no patrocínio aqui de São Paulo, porque só com o patrocínio de São Paulo não sai o evento”. Por fim, afastou qualquer viés partidário em ano de eleições: “O nosso foco em Campinas não é fazer um evento político, mas falar do interior na importância do estado de São Paulo e no Brasil”.

O painel técnico ficou a cargo de Jaques Bushatsky, pró-reitor da UNISECOVI. Sob o tema “Locação e Condomínio sob ataque”, ele fez um alerta contundente sobre o excesso de interferência legislativa nas relações privadas. Mapeando centenas de projetos de lei em Brasília, Bushatsky criticou a postura intervencionista. “Estão se intrometendo demais numa relação privada. O Estado poderia regular, e não investir, não gerir, não se meter nos contratos. Só regula”, enfatizou.

O advogado defendeu a locação como a resposta mais lógica para a habitação com capital privado. “Não tem dinheiro pra dar casa pra todo mundo. Por que não usar o dinheiro privado, em vez do dinheiro público? Como? Construindo para locação”, questionou. Sobre a Constituição, ele foi enfático: “Se tá lá escrito que todo mundo tem direito a lazer, eu não preciso dar de graça o cinema, mas eu não posso botar uma parede na frente do cinema. O que é inconstitucional não é deixar de entregar essas moradias. O que é inconstitucional é atrapalhar isso”.

Questionado sobre as polêmicas recentes envolvendo a proibição de locações de curta temporada (como Airbnb) em condomínios, o advogado foi pragmático na defesa da adimplência: “Eu prefiro que o meu vizinho alugue do que não pague. Quando ele aluga, ele paga a despesa de condomínio, o rateio dele, e eu não fico nem sabendo o que está acontecendo lá no apaqrtamento dele”.

Jaques resumiu o sentimento do setor: “Nós vivemos de renda, nós não podemos carregar o peso que o Estado tem que carregar. O Estado tem as suas obrigações, a iniciativa privada tem as dela. Tem que existir uma lei base para que os contratos sejam celebrados, mas tendo a liberdade entre as partes para poder dispor daquilo que quer e que não quer”, concluiu

O fortalecimento da imagem institucional também pautou a reunião. Felipe Perella, gestor de comunicação Institucional, demonstrou como a regionalização da notícia é vital. “Quando a gente trabalha com veículos nacionais, a gente tem uma outra forma de trabalhar notícia. No regional tem que ser uma coisa mais focada, que traga dados, que traga informações locais, que traga algum case, alguma empresa que fortaleça aquele envolvimento”, detalhou.

Os resultados apresentados foram robustos e evidenciam a importância do trabalho de base com os porta-vozes. “Em 2025, a gente atingiu um valor de ROI [Retorno sobre Investimento] de 5,437 milhões. Em três meses [deste ano], a gente já tem 1,5 milhão. A gente tá bem otimista que, se seguir, a gente vai conseguir superar”, comemorou Felipe. O gerente apontou os próximos desafios para a área: “A gente tem o desafio de trabalhar pautas e disputar espaço nos veículos de uma forma geral, principalmente agora que a gente tem um cenário chegando de período eleitoral e de Copa do Mundo”.

Caminhando para o encerramento, o coordenador de Relações Trabalhistas e Sindicais do Secovi-SP, Carlos Azevedo, trouxe atualizações sobre as relações de trabalho, sendo o ponto de maior apreensão o avanço das discussões em Brasília sobre a PEC que visa extinguir a escala 6×1.

“O Secovi-SP ao longo do tempo, junto com outras entidades empresariais, vêm trabalhando na tentativa de amenizar os danos com uma transição mais alongada e algumas outras salvaguardas. Infelizmente, a princípio, não foi possível”, explicou, relatando a pressão no Congresso. “A ideia do governo é passar o trator mesmo, e entrar com tudo esse ano”.

Ele alertou que a nova frente de batalha é no Senado e detalhou os impactos econômicos severos da medida na produtividade e na renda da base do setor imobiliário: “Você vai estar trabalhando menos, mas você vai ganhar menos, inclusive pra quem ganha comissionado. São 20 horas a menos, pelo menos, na sua jornada. Um quinto da sua remuneração no comissionado vai embora. Você não vai produzir”, concluiu.