O reúso do esgoto para consumo humano, segundo o consultor Plínio Tomaz, diretor presidente da Agência reguladora dos Serviços Públicos e Saneamento Básico de Guarulhos (AGRU), é uma realidade, um fato consumado. “A tecnologia nessa área avançou muito. Existem diversos sistemas de segurança que garantem a qualidade da água para o consumo”, afirmou o especialista durante o Fórum Água, realizado em fevereiro, no SindusCon-SP. Ele participou da mesa-redonda sobre avanços necessários na Legislação, projetos e normas técnicas para uso de fontes alternativas, tecnologias e equipamentos de gestão, ao lado do consultor e coordenador de programas de uso racional da água, Plínio Grisolia, e do vice-presidente da Abrasip, Sérgio Cukierkorn. A mesa foi coordenada por Renato Sofiatti, membro do CTQ.

Segundo Tomaz, atualmente Guarulhos trata 50% do seu esgoto e estuda atingir a meta de 100% em dois anos. Ele destacou que o tratamento de esgoto é distribuído em três esferas (primária, secundária e terciária) e tecnicamente executada apenas até a fase secundária. “Precisamos fazer o tratamento terciário, chegando aos rios. Sem ele esse problema não terá solução”. 

Com relação às discussões técnicas, Tomaz lembrou que não há norma de reúso e isso não depende apenas da ABNT. “Quem faz as normas somos nós, precisamos ser mais propositivos”, disse. Sobre o tema, Sergio Cukierkorn, da Abrasip, considerou que evoluir tecnicamente sobre o assunto é uma questão urgente. Grisolia, que coordena diversos programas de uso racional da água, destacou que a ABNT tem discutido atualmente um Anexo Informativo. Seu texto deve ser claro, principalmente, porque precisa ser entendido pela sociedade e não apenas pelos técnicos. 

Para Grisolia, o uso racional da água está presente em praticamente todos os segmentos da sociedade (saúde, transporte, alimentação, lazer, hoteleiro), mas ainda existe uma resistência no residencial. “Infelizmente, muitos produtos economizadores de vazão não atendem as peculiaridades do uso residencial convencional.” 

Na busca de soluções práticas para a questão, Cukierkorn ficou impressionado com alguns números de análise de consumo fornecidos pela Sabesp e outras empresas do meio. Segundo a empresa, 85% do fornecimento de água seguem para consumo residencial e o chuveiro responderia por 45% do consumo dentro de uma residência. Como resultado da pesquisa, o vice-presidente da Abrasip apresentou uma lista de ações para um consumo consciente recomendada para condomínios residenciais, como a utilização de aparelhos redutores de vazão, planilhas individuais de controle do consumo, redução do consumo em áreas comuns e o uso de fontes alternativas (como água cinza e da chuva). No caso dos canteiros de obra, a redução do consumo envolve a instalação de sistemas de reúso, com aplicação inclusive na lavagem dos pneus dos caminhões e o desenvolvimento de um controle de gasto mensal por atividade.

Fonte: SindusCon-SP