O crescimento contínuo de loteamentos clandestinos na região de Sorocaba representa um problema histórico e de difícil solução — e quem avisa é Luiz Fernando Zanchet, diretor de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do Secovi-SP de Sorocaba. Em entrevista ao Cruzeiro do Sul, Zanchet foi enfático: “Se forem surgindo novos, é um problema sem fim”.

A declaração integra uma série de alertas de especialistas e entidades sobre os impactos sociais, ambientais e estruturais provocados pela ocupação irregular do solo urbano — realidade que afeta municípios de toda a Região Metropolitana de Sorocaba (RMS).

Para o diretor do Secovi, um dos problemas mais graves gerados pelos loteamentos clandestinos é a ausência de saneamento nas áreas irregulares. Segundo Zanchet, essa carência provoca “consequências humanas profundas”, com impacto especialmente severo para crianças. Além disso, essas comunidades ficam afastadas de equipamentos públicos, áreas de lazer e serviços básicos essenciais.

O custo dessa negligência, porém, não fica restrito aos moradores das áreas irregulares. Zanchet destacou que, após a ocupação consolidada, o investimento necessário para levar água, esgoto e infraestrutura adequada recai sobre toda a sociedade — onerando o poder público e, por consequência, o contribuinte.

Outro ponto levantado pelo representante do Secovi é o impacto de longo prazo sobre o planejamento urbano. A cada novo loteamento irregular que surge, torna-se mais difícil qualquer processo de urbanização futura na região. A ocupação desordenada fragmenta o território, cria ilhas de precariedade e inviabiliza projetos de expansão ordenada das cidades.

Diante desse cenário, o Secovi orienta os interessados em adquirir imóveis a adotarem cuidados básicos antes de fechar qualquer negócio. Zanchet recomenda verificar se o empreendimento possui aprovação municipal e registro em cartório de imóveis. Também é aconselhável solicitar o número do processo administrativo e a matrícula do imóvel — medidas simples que podem evitar dores de cabeça futuras e prejuízos financeiros significativos.

A orientação ganha ainda mais relevância diante do contexto identificado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, que acompanha casos de loteamentos clandestinos na comarca de Sorocaba: esse tipo de irregularidade “lesa os compradores, compromete a regularidade urbanística da cidade e quase sempre também provoca danos ambientais”.