Evento apresentou o “Manual de Diretrizes de Boas Práticas – o papel do síndico na gestão 5.0”, focando na crescente complexidade da atividade e na necessidade de uma administração mais humana, transparente e profissional
O Secovi-SP promoveu, na última terça-feira (2/12), um encontro fundamental para o mercado de administração de condomínios, marcando o lançamento oficial do seu novo “Manual de Diretrizes de Boas Práticas – o papel do síndico na gestão 5.0”. O Ciclo de Palestras para Síndicos e Administradoras de Condomínios serviu como palco para um debate aprofundado sobre as transformações do setor, reunindo um painel de especialistas que foram coautoras da publicação para discutir os desafios e as tendências que moldam o futuro da gestão condominial no Brasil.
A abertura do evento foi conduzida por Moira Toledo, vice-presidente de administração de imóveis e condomínios do Secovi-SP, que contextualizou a criação do manual como uma resposta à evolução do mercado. Ela introduziu o conceito de “gestão 5.0”, que vai além da eficiência técnica. “A gestão 5.0 é a gestão que alia toda a técnica, o conhecimento, tudo aquilo que é necessário para uma eficiência operacional, mas com foco nas pessoas”, destacou Toledo. Ela enfatizou que o objetivo final da administração condominial transcende a manutenção do patrimônio, tocando diretamente na realização de um sonho e na promoção do bem-estar dos moradores. “É muito comum condomínios onde você tem uma comunidade muito forte, ter uma valorização em relação a outros que tenham estruturas até similares na mesma rua”, complementou.
O debate, por Catarina Anderáos, editora-chefe do SíndicoNet, foi protagonizado por um time de mulheres especialistas que colaboraram intensamente na criação do manual. O painel foi composto pela advogada Lisa Lima, da Elias, Matias Advogados; Juliana El Hadi de Almeida, diretora de condomínios da Administradora Unicasa; a palestrante e consultora Taula Armentano, da Realiza Sócia da Informa síndicos; a advogada Virgínia Asamura Bernardes, do escritório Gasparini, Barbosa e Freire Advogados; e Gisele Fernandes, head de operações da Administradora OMA. A união dessas competências resultou em uma publicação que aborda 13 temas centrais para a boa governança condominial.
Um dos tópicos mais explorados foi a profunda transformação no papel do síndico. Gisele Fernandes resumiu o sentimento de urgência por modernização: “A sociedade mudou. A gente é outro mundo, então não dá para termos as mesmas práticas ou ficarmos presos à legislação ou a um modelo de gestão de tantas décadas passadas”. A advogada Virgínia Asamura Bernardes traçou um paralelo entre a figura do síndico na lei de 1964 e o gestor atual. “Hoje em dia, as coisas estão muito mais complexas. As relações tornaram-se cada vez mais complexas”, pontuou Bernardes. Essa complexidade, segundo Moira Toledo, envolve mais de 270 atividades distintas e impulsionou a ascensão do “síndico empresário”. Taula Armentano, que atua como síndica profissional, usou uma poderosa metáfora para descrever o papel do gestor moderno: “Condomínio não dá certo só com um síndico bom… A engrenagem tem que funcionar. E você, se é síndico, foi chamado para ser o maestro dessa engrenagem”.
Quando questionadas sobre o pilar mais crítico para a sustentabilidade de uma gestão, as especialistas foram unânimes em eleger a transparência. Para a advogada Lisa Lima, a falta dela é o fator mais sensível. “O síndico está o tempo todo a lidar com o dinheiro das pessoas. Isso já pressupõe uma necessidade incontestável de ser transparente com o que está a ser feito ali no condomínio”, argumentou. Gisele Fernandes expandiu o conceito, afirmando que a prestação de contas não deve se limitar à assembleia anual. “Temos de desmistificar que prestar contas é só na Assembleia. Prestamos contas nos comunicados, nesta transparência, no dia a dia do condomínio, para que a situação não saia do controlo”, disse. A comunicação assertiva foi outro ponto de destaque. Segundo Taula Armentano, não basta apresentar dados; é preciso explicar o porquê das decisões. “Comunicação assertiva não é só encher os nossos condóminos de dados, mas sim de contexto”, afirmou.
Juliana El Hadi de Almeida reforçou a importância da proatividade na comunicação, especialmente na gestão de crises. “Sempre que houver um problema, já antecipe, já comunique, que tenho certeza de que o condomínio vai receber de uma forma mais amistosa do que se descobrir esse problema”, aconselhou. Ela também comentou sobre a velocidade das mudanças: “E tudo está a mudar muito rápido, cada vez mais rápido, e as pessoas esperam respostas cada vez mais rápidas, um senso de urgência que a gente vem vivendo”.
O debate também se aprofundou na importância da tomada de decisão coletiva, posicionando a assembleia como a verdadeira “caixa acústica do condomínio”. Moira Toledo defendeu a necessidade de antecipar os problemas e construir as soluções de forma colaborativa. “Quando participamos da tomada de decisão, cumprimos”, concluiu, argumentando que o envolvimento direto gera um senso de pertencimento e facilita o cumprimento das regras por todos.
À medida que o final do ano se aproxima, os desafios financeiros ganharam destaque. Juliana El Hadi de Almeida abordou a complexa tarefa de equilibrar as demandas por melhorias com a realidade da inflação. Ela compartilhou uma dica estratégica: o uso de rateios para financiar projetos específicos. “O rateio tem um começo, meio e fim. O morador sabe quando vai acabar aquele montante que tem de pagar”, explicou, ressaltando que essa modalidade costuma ter uma aceitação melhor do que um aumento permanente na cota condominial.
Ao final do evento, foi anunciado que a versão completa do manual estará disponível em formato digital exclusivo para os associados do Secovi-SP a partir do dia 17/12. A iniciativa, apoiada por patrocinadores como Cosecurity, Haganah e Eletromídia, reafirma o compromisso da entidade em fornecer ferramentas para a contínua profissionalização do setor. Como resumiu Lisa Lima, “a gente sente falta, porque tem muita coisa que a gente encontra na legislação, nas convenções, mas quando o Secovi-SP fala, dá um peso e nos apoia”.
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