O Secovi-SP (Sindicato da Habitação) realizou o seminário “Durabilidade e vida útil de edifícios” na manhã do dia 2/3, em sua sede. Com a presença dos maiores especialistas do País neste importante assunto, e um público formado por aproximadamente 300 profissionais do mercado imobiliário, o evento, feito em parceria com a Escola Politécnica da USP, se compôs de palestras e debates, nos quais foram abordados os impactos e as responsabilidades associados ao projeto, à construção e à manutenção de edifícios.

Quarta edição da série de seminários voltada à discussão dos pontos polêmicos da ABNT NBR 15.575 – Norma Brasileira de Desempenho de Edifícios, prevista para entrar em vigor em março de 2013, o evento tem “extrema importância para o setor”, afirma Carlos Borges, vice-presidente de Tecnologia e Qualidade do Sindicato. “O tema suscita polêmicas e paixões. Pela sua complexidade, precisamos evoluir com pesquisas e estudos, acrescentando a questão da sustentabilidade e com atenção especial à esfera jurídica. Temos de enfrentar o assunto, evitar confusões e esclarecer o mercado”, disse Borges, na abertura do evento.

Vanderley John, da Poli-USP, abriu o seminário dando uma visão geral do tema e conceituando desempenho e vida útil. John abordou aspectos envolvidos em durabilidade e vida útil, como projeto, construção, sustentabilidade, fatores econômicos e sociais e inovação em produtos. “Não dá para falar em sustentabilidade, economia e habitação social sem falar em vida útil. É uma responsabilidade coletiva: de fabricantes, projetistas, construtores e usuários”, disse John.

O segundo painel tratou de desenvolvimento de materiais e componentes de construção, com critérios de durabilidade, e contou com palestras de Fábio Domingos Pannoni, consultor técnico da Gerdau, que discorreu sobre materiais e componentes de aço estrutural, e Paul Houang, da Weber Saint Gobain, que falou sobre materiais e componentes cimentícios.

Já Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, tratou, no terceiro painel, de estruturas de concreto de edifícios. “O concreto é durável, e deve-se fazer seleção e combinação de materiais adequados numa obra, além da prevenção à corrosão, fissuração e umidade, que resolvem 90% dos problemas”, concluiu o professor.

Vida útil de fachadas de edifícios foi o tema do painel do professor Fernando Henrique Sabbatini, da Poli-USP. “Muitos problemas relacionados às fachadas estão na deficiência de domínio de tecnologia de concepção, produção e manutenção”, criticou Sabbatini. Ele exemplificou com a manutenção de pintura na fachada, que deve ser feita periodicamente, segundo recomendação da Norma de Desempenho. “Se a manutenção de pintura for mais frequente ou de melhor qualidade, evita-se a substituição do revestimento”, alertou.

O professor também criticou a falta de regulamentação: “O Brasil não tem um Código Nacional de Construção. Por isso, cada um faz o que acha certo. Em qualquer outro país existe uma legislação que rege o mercado”, declarou.

A última palestra foi ministrada por Vera Hachich, engenheira civil da Tesis Tecnologia e Sistemas em Engenharia. Ela falou sobre como se calcula a vida útil e a durabilidade de materiais, componentes envolvidos, processos de degradação e sistemática.

Preparativo para evento internacional

O seminário também serviu como preparativo para a XIII International Conference on Durability of Building Materials and Components, que acontece de 3 a 5 de setembro de 2014, pela Poli-UPS na condição de membro do International Council for Research and Innovation in Building and Constrution (CIB). As atividades acontecerão na sede do Sindicato, parceiro da iniciativa.