O desafio da sustentabilidade acaba de ficar mais complexo para os empreendedores imobiliários. Na mais recente conferência internacional do Green Building Council norte-americano, encerrada na sexta-feira na Filadélfia, foi apresentada oficialmente ao mercado mundial a quarta versão da certificação Leed, tornando ainda mais exigente um dos principais sistemas de avaliação de edificações verdes do planeta.

Nosso País tem mais de cem projetos já reconhecidos por alguma modalidade do selo e cerca de 820 em fase de avaliação, de acordo com a ONG Green Building Council Brasil,responsável pela disseminação do sistema por aqui. “Seguindo o ritmo de crescimento, até o primeiro trimestre de 2014, devemos ocupar a terceira opção do ranking mundial, ultrapassando Emirados Árabes”,diz o diretor da entidade, Felipe Faria.

Segundo ele, a versão 4.0 do Leed (sigla em inglês para Liderança em Energia e Design Ambiental) traz adequações deprocesso em relação ao terceiro modelo, de 2009,e principalmente atualizações técnicas que aumentam as exigências para que os projetos cumpram pré-requisitos ou ganhem pontos por diferenciais de sustentabilidade.

Uma edificação tem de atender algumas condições obrigatórias e outras opcionais para ser reconhecida, somando, no mínimo, 40 pontos de um total de 110. Há quatro níveis de avaliação disponíveis para aos incorporadores, o mais alto deles exige o atendimento de pelo menos 80 pontos. Criado em 1998, o Leed sempre teve como objetivo incentivara a cadeia produtiva da construção civil, por isso periodicamente é revisto, de acordo com o diretor da área de sustentabilidade do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), Anderson Benite. Em outras palavras, ele não deixa que os incorporadores se acomodem.

Inovações. O Leed 4.0 passou a atender novos segmentos do mercado, como data centers, centros de distribuição e edifícios escolares já existentes. Agora, tem 21 possibilidades de certificação, incluindo as voltadas à operação e uso de prédios já em funcionamento – antes, havia nove tipologias. Faria também ressalta a maior aberturado sistema às necessidades regionais. Com as novas regras, o Brasil foi dividido em 16 zonas bioclimáticas e populacionais, para as quais há diferentes combinações de seis créditos prioritários. Antes, essa divisão não existia.

De acordo com o diretor da Inovatech Engenharia, Luiz Henrique Ferreira, a atualização dos elo corrige algumas desvantagens do sistema em relação a outras certificações. Uma das novidades é a criação de um crédito específico para o desempenho acústico. Outra é a pontuação de projetos que utilizem materiais cujo ciclo de vida – e os impactos de cada etapa produtiva– seja todo mapeado e divulgado com clareza.

Outro ponto digno de nota, segundo o gerente sênior de green building da consultoria Cushman & Wakefield, Antonio Macêdo, é a valorização mais evidente dos projetos integrados – agora há um crédito só para isso. “Eles gerarão projetos mais compatibilizados e, consequentemente, de mais qualidade”, acredita.

Marca mais forte do Leed, a eficiência energética deve ser também bem mais restritiva. A nova versão adota como parâmetro a norma norte-americana Ashrae 90.1 versão 2010, 32% mais exigente do que a anterior, de 2007, de acordo com o diretor do GBC Brasil. Diante do desafio, o mercado terá tempo para se adaptar. As versões 3 e 4 coexistirão por um ano e meio. A partir de 1º de junho de 2015, apenas a mais recente poderá ser utilizada.

Fonte: O Estado de São Paulo, 24/11/2013