O crescimento urbano de Sorocaba já segue uma tendência para a conurbação com cidades vizinhas. Exceto Votorantim, onde o tema já é realidade há alguns anos, Sorocaba também cresce em direção a outros municípios, como Araçoiaba da Serra, Itu e Iperó. Especialistas que discutiram o novo Plano Diretor de Sorocaba por quase dois anos acreditam que ele incentiva esse processo, havendo a necessidade de criação de medidas para garantir a qualidade de vida da população e a proteção dos recursos naturais.

Um exemplo de como o Plano Diretor pode interferir no processo de conurbação está no limite entre Sorocaba e Itu. Na região, o zoneamento foi modificado pelo Plano Diretor, passando de zona residencial 1 para zona residencial 2, permitindo um maior adensamento populacional graças à diminuição dos lotes, o que provoca uma maior concentração de residências.

Já nas zonas oeste e noroeste de Sorocaba acontece a proximidade de bairros como Quintais do Imperador I e II com a cidade de Araçoiaba da Serra, através do bairro de Araçoiabinha. Essa região teve seu zoneamento modificado na revisão do Plano Diretor, passando de zona de chácaras urbanas para zona residencial 2 e 3, o que permite uma maior ocupação das áreas. No trecho que compreende o distrito de Geoge Oeterer (Iperó) e a Vila Bom Jesus (Sorocaba) há um projeto de desenvolvimento programado, que prevê a criação de novos loteamentos.

Segundo o vice-presidente do Interior do Secovi-SP e diretor da Regional Sorocaba da entidade, Flavio Amary, essa movimentação não é negativa, uma vez que trata-se de processo natural. Para ele, o problema aparece quando essa conurbação “empurra” o sorocabano para outras cidades, direcionando os empreendimentos para fora por conta das restrições de ocupação. “Vemos vários lançamentos em Salto de Pirapora e Araçoiaba da Serra, tanto para classe média alta quanto para classe econômica. Aí criam-se problemas de mobilidade. O grande desafio é levar o trabalho mais perto da moradia e vice-versa”, afirma.

Amary diz que é preciso incentivar as pessoas a voltarem a morar na zona central, onde há infraestrutura, além de estimular a geração de empregos nas áreas periféricas da cidade. De acordo com o vice-presidente, as mudanças de zoneamento e os lotes menores não resolvem o problema. Um exemplo, segundo ele, está na zona oeste, próximo de Araçoiaba, onde falta infraestrutura de saneamento básico suficiente para atender novas residências.