O 1º Encontro do Mercado Imobiliário de Piracicaba e Região aconteceu na quinta-feira, 5 de dezembro de 2013, com o objetivo de reunir especialistas em urbanismo, autoridades e empresários dispostos a debater e refletir sobre os rumos da cidade que, neste momento, discute seu novo plano diretor.
Realizado na Associação Comercial e Industrial de Piracicaba (Acipi), o evento teve público estimado em 100 pessoas e contou com as palestras do presidente do Secovi-SP, Claudio Bernardes, e do respeitado urbanista Carlos Leite. Merecem destaque as participações de Lauro Pinotti, arquiteto e urbanista com larga experiência internacional – e que hoje atua especificamente em Piracicaba e região –, e de Flavio Amary, vice-presidente do Interior do Secovi-SP. Os trabalhos foram coordenados por Angelo Frias Neto, presidente da Acipi e conselheiro representante de Piracicaba na regional do Secovi em Campinas.
Dentre as muitas questões levantadas pelos palestrantes, sobressaíram os temas mobilidade e qualidade de vida. Basicamente, os especialistas mostraram que o desafio colocado para o mercado imobiliário piracicabano, e também, para toda a sociedade, é: quais são os planejamentos necessários para que o município cresça de forma ordenada, preservando e até melhorando o padrão de vida das pessoas?
Pecualiaridades devem ser respeitadas – “Cada cidade tem suas características, suas peculiaridades. Então, não existe um modelo pronto de desenvolvimento urbano”, pontuou Claudio Bernardes. O presidente do Secovi-SP deu forte ênfase ao conceito de adensamento inteligente, lembrando sempre que adensar não é necessariamente sinônimo de verticalizar.
Valendo-se de exemplos colhidos em muitas partes do mundo, ele mostrou que é possível encontrar localidades com grande coeficiente populacional que oferecem qualidade de vida muito melhor do que áreas com baixa densidade, mas que enfrentam déficit de infraestrutura ou obedecem a modelos antiquados de ocupação, quase sempre baseados em longos deslocamentos feitos por automóveis. “E não adianta demonizar o carro, desestimular seu uso, sem que seja oferecido um transporte público de qualidade”, alertou.
Claudio Bernardes também mostrou que existe relação direta entre o coeficiente de uso do solo e o preço dos imóveis. Quanto menor o coeficiente de aproveitamento, mais o imóvel tende a encarecer.
Valor agregado – Carlos Leite, por sua vez, salientou que “o bom urbanismo agrega valor”, e observou que muitas cidades, como a capital paulista, sofrem porque têm um “metabolismo de século 21 e um modelo de desenvolvimento do século 20”. Citando exemplos como o de Bogotá, a capital colombiana que no espaço de 12 anos – ou seja, ao longo de três gestões municipais –, mudou radicalmente de rumos, trocando a degradação pela reestruturação urbana, ele mostrou o que é possível fazer quando se tem planejamento, vontade política e visão de futuro.
O especialista alertou: “Precisamos migrar para uma modelagem de densidade urbana baseada em centralidades multifuncionais” – ou seja, quanto menos deslocamento houver, melhor; um modelo de cidade que permita estudar, residir, trabalhar e ter atividades de lazer, tudo num raio próximo, evitando longos deslocamentos, é o ideal que deve ser buscado.
Ao final do evento, ele provocou a plateia: “Vocês estão construindo a cidade que querem ter daqui a 25 anos”. E acrescentou: “Piracicaba tem seis macrorregiões urbanas e sete macrorregiões rurais. Assim, o desafio urbano é muito maior do que a área urbana. É fundamental que a totalidade do município seja pensada”, ponderou.