Aconteceu na sexta-feira, 31/10, a cerimônia de entrega do 2º Prêmio Lares Secovi-SP para os três melhores trabalhos acadêmicos relativos ao setor imobiliário em 2014.

O evento ocorreu na sede do Sindicato da Habitação, em São Paulo, e contou com a presença dos autores dos trabalhos vencedores, que foram conhecidos durante a 14ª Conferência Internacional da Lares (Latin American Real Estate Society), realizada em setembro, no Rio de Janeiro.

O prêmio, criado em 2013 pelo Secovi-SP em parceria com a Lares, tem como objetivo estimular a produção de pesquisa relacionada ao setor imobiliário e este ano teve como contemplados: Luís Felipe Sola e Paola Torneri Porto, responsáveis pelo artigo “Condições para estruturação de fundos imobiliários com renda proveniente de locações residenciais”; Paulo Fernando Câmara Pereira, que abordou o tema “Elevação de preços no mercado residencial no Brasil: questões estruturais, desempenho do setor e risco do sistema econômico”; e Fernanda Furtado, Claudia Acosta e Camila Maleronka, com o trabalho “Gestão Municipal do Solo Urbano no Brasil e na Colômbia: aprendizados cruzados a partir de experiências com instrumentos de intervenção urbana similares”.

Anualmente, profissionais de mercado e pesquisadores são convidados a contribuir, submetendo resumo de trabalhos e artigos originais que contemplem os temas da Conferência Internacional da Lares.

A análise e seleção dos trabalhos é realizada por uma comissão julgadora composta por membros da Lares e do Secovi-SP, seguindo critérios de avaliação definidos pelo grupo. A partir das indicações da comissão julgadora, são selecionados os trabalhos mais votados, em uma primeira etapa. Em uma segunda fase, após sucessivas votações, são indicados os vencedores.

A segunda edição da iniciativa traz, entre os três contemplados, o estudo realizado por Paulo Fernando Câmara Pereira sobre o tema “Elevação de preços no mercado residencial no Brasil: questões estruturais, desempenho do setor e risco do sistema econômico”.

No resumo deste artigo, Pereira explica que, desde a crise nos Estados Unidos (2007/2008), o mercado imobiliário vem sendo motivo de preocupação em vários países. No Brasil, a elevação dos preços dos imóveis nos últimos anos tem suscitado discussões entre especialistas sobre a existência de uma bolha, que estaria inflando para, em seguida, estourar. Mas, segundo o autor, o seu estudo não se propõe a discutir teoricamente se há ou não uma bolha imobiliária no mercado nacional.

Pereira analisa as condições estruturais da economia que permitiram a elevação dos preços dos imóveis residenciais, dentre as quais a queda da taxa de juros e o considerável aumento dos custos de construção. Ainda, com dados das companhias de capital aberto, verifica que esse avanço de preços não refletiu na qualidade de desempenho das empresas do setor. “E também, baseando-se em dados do Banco Central, constata que não há, até agora, risco para o sistema financeiro e, consequentemente, para o sistema econômico”, complementa o autor.

Outro trabalho premiado nesta edição analisa as intervenções urbanas no Brasil e na Colômbia. Segundo as autoras Fernanda Furtado, Claudia Acosta e Camila Maleronka, o estudo combina a abordagem jurídica à urbanística para uma compreensão adequada dos instrumentos definidos pelas correspondentes políticas urbanas nacionais, a fim de respaldar a gestão municipal do solo urbano. “Além da análise comparativa de seus conceitos básicos, das bases necessárias para sua regulamentação e das possíveis dificuldades para sua implementação, são examinadas as aplicações recentes da Declaratoria de Desarrollo y Construcción Prioritarios (DDP), em Bogotá, e da Outorga Onerosa do Direito de Construir brasileira (OODC), em São Paulo, buscando propiciar aprendizados cruzados para consolidar o uso destes instrumentos em ambos os países”, concluem as pesquisadoras.

O terceiro trabalho premiado trata da estruturação de fundos imobiliários com renda de locações residenciais. O levantamento avalia a possibilidade de estruturar esta modalidade de fundos imobiliários no Brasil sob o ponto de vista da atratividade para um investidor que busca renda de longo prazo. Estudo sobre o mercado de fundos de investimento imobiliário (FIIs), realizado em fevereiro de 2014, observou instrumentos com estratégias de remuneração baseadas em ativos de diversos segmentos (shopping centers, edifícios de escritórios comerciais, galpões logísticos e industriais, e outros). Entretanto, não foram identificados fundos com estratégias de obtenção de renda a partir de locação residencial.

Por outro lado, no mercado americano, cerca de 12% dos Equity REITs (Real Estate Investment Trusts) auferiram renda por meio da locação ou operação de imóveis residenciais. Com base nessas informações, os autores identificaram a necessidade e iniciaram o trabalho por uma avaliação dos REITs residenciais, procurando compreender seus mecanismos e suas estratégias. Depois, segundo eles, por meio de simulações em um modelo protótipo de fundo imobiliário residencial no Brasil, elaboraram uma análise econômica, focada na qualidade do investimento, a fim de extrair conclusões sobre o tema.

O vice-presidente de Assuntos Turísticos e Imobiliários do Secovi-SP e presidente do Júri que avaliou todos os trabalhos, Caio Calfat, esclareceu que não houve classificação entre os 3 melhores. “Todos ficaram com o 1º lugar, devido à importância que cada um tem em sua área de estudo. Queremos contar agora com a inscrição de um número ainda maior de pessoas para o próximo ano, tamanha a dimensão que este prêmio está alcançando”, disse.

O presidente da Lares, Cláudio Tavares Alencar, ficou emocionado ao cumprimentar os premiados. “Estou muito feliz em ver ex-alunos aqui, neste palco, recebendo seus prêmios. Fico muito orgulhoso de vê-los buscando novas posições no mercado e crescendo dessa forma. Agradeço muito a parceria com o Secovi-SP por incentivá-los dessa forma”, concluiu.

Na ocasião, Hamilton de França Leite Junior, coordenador de Programas de Sustentabilidade e Eventos Culturais do Secovi-SP, representou o presidente da entidade, Claudio Bernardes. “Consideramos que o estreitamento dessa relação com a Lares pode trazer grandes benefícios para todos do mercado. Os trabalhos de 2013, por exemplo, trouxeram valiosas informações para as empresas planejarem seus investimentos, dentre outras ações. Com os premiados deste ano, não será diferente”, avaliou Hamilton.

Já a coordenadora geral do grupo de Novos Empreendedores do Sindicato, Carolina Ferreira, disse que, “certamente, todos os associados do Secovi ficarão bem impressionados com o trabalho de vocês, que será muito útil a toda a sociedade”.

Para Márcia Taques, coordenadora Adjunta do grupo Novos Empreendedores (NE) e mestre de cerimônias da solenidade, “esses trabalhos são extremamente válidos para a entidade, porque irão subsidiar muitos empresários na tomada de decisões”.