No dia 28 de maio, em reunião da vice-presidência de Habitação Econômica & Comitê de Habitação Popular especialistas e lideranças do setor se reuniram para debater o panorama do mercado imobiliário, da habitação popular e as pautas de desburocratização urbana. A reunião foi estruturada em quatro apresentações principais, trazendo balanços institucionais, dados orçamentários do FGTS, análises de inteligência de mercado e iniciativas de simplificação para o licenciamento de obras.
Daniela Ferrari, vice-presidente de Habitação Econômica, iniciou as discussões apresentando o balanço da pasta. Ela destacou a meta governamental de alcançar um milhão de contratações no programa Minha Casa, Minha Vida em 2026, ressaltando que, para atingir esse objetivo, é fundamental garantir o reajuste de preços e o reequilíbrio dos contratos em andamento da Faixa 1. Daniela também alertou os presentes sobre os impactos severos de uma possível mudança na escala de trabalho para cinco por dois, com redução da jornada para quarenta horas semanais. Segundo ela, essa alteração sem um tempo de transição adequado pode encarecer as obras entre sete e dez por cento e gerar uma necessidade imediata de quase trezentas mil novas contratações, o que levou o setor a sugerir uma transição gradual até 2033. Também pontuou o andamento de agendas estaduais e municipais, como os programas Casa Paulista e Pode Entrar.
Em seguida, o economista Luis Mendes detalhou a execução orçamentária do FGTS referente ao primeiro quadrimestre de 2026, evidenciando um cenário de forte aquecimento. Ele explicou que os financiamentos para aquisição e construção no país cresceram treze vírgula quatro por cento em relação ao mesmo período do ano anterior. Mendes deu um destaque especial ao estado de São Paulo, que superou a média nacional ao registrar uma elevação de dezessete vírgula um por cento nesses financiamentos. Ele argumentou que esse salto paulista foi impulsionado primordialmente pelas contratações de financiamento para produção por pessoa jurídica, que dispararam mais de trinta e três por cento, contribuindo fortemente para que o Minha Casa, Minha Vida atingisse a marca de duzentas e vinte e cinco mil unidades contratadas no quadrimestre.
Complementando o cenário com dados comerciais, o diretor de Economia do Secovi-SP, Celso Petrucci, apresentou um panorama de inteligência de mercado focado na capital paulista, demonstrando a dominância do segmento econômico. Ele apontou que, no acumulado de doze meses até abril de 2026, a cidade lançou cento e quarenta e uma mil unidades residenciais verticais, sendo que o Minha Casa, Minha Vida foi responsável por sessenta e quatro por cento desse volume. Petrucci ressaltou que as vendas seguiram o mesmo ritmo, com a habitação popular representando sessenta e seis por cento das quase cento e quinze mil unidades comercializadas no período. Para ilustrar a alta velocidade desse nicho, ele mencionou que a oferta final de imóveis populares escoa em cerca de oito meses, um tempo muito inferior aos doze meses dos outros mercados, frisando ainda o impressionante aumento de sessenta e três por cento nos lançamentos de unidades de um dormitório.
Finalizando o encontro, Beatriz Rennó, coordenadora de Políticas Públicas no Sebrae-SP abordou os esforços da empresa para a simplificação do licenciamento urbanístico, um gargalo crítico para a construção. Ela explicou que a burocracia e a insegurança jurídica atuais elevam, em média, doze por cento o custo de um empreendimento habitacional. Para reverter esse quadro, ela detalhou a metodologia do projeto que auxilia os municípios na revisão de seus Códigos de Obras e Edificações e das Leis de Uso e Ocupação do Solo. Ela defendeu o respeito à capacidade técnica das prefeituras aliado ao uso intensivo de tecnologia, geoprocessamento e à implementação de procedimentos autodeclaratórios. Como prova prática do sucesso da iniciativa, relatou que as cidades participantes que já aprovaram as novas minutas conseguiram reduzir, em média, trinta dias no tempo de aprovação dos licenciamentos urbanísticos, criando um ambiente muito mais atrativo para novos investimentos.