O panorama da economia brasileira atual e os reflexos no dia a dia das empresas e dos cidadãos foram o mote da palestra “Panorama Econômico”, ministrada pela comentarista econômica Denise Campos de Toledo, no segundo dia do Enacon – Encontro das Administradoras de Condomínios, realizado em 5 e 6/11, na sede do Secovi-SP, na Capital.

Durante mais de 1 hora, a jornalista da Rádio Jovem Pan detalhou as dificuldades políticas e econômicas do Brasil e a projeção para 2016. Segundo ela, as previsões, por enquanto, são de recessão da economia brasileira de pelo menos 1,2% no ano que vem. “Isso tende a piorar as condições de emprego no País, o que deve travar ainda mais o consumo e atividade em geral”, afirmou.

Denise salientou ainda que novo risco de rebaixamento do Brasil é quase inevitável. “A Standard & Poor´s rebaixou a nota de investimento do País. Nós já passamos por outros rebaixamentos, mas como tinha uma nota maior pelas outras agências, o Brasil não perdeu o grau de investimento. Se uma agência fizer o País perder essa classificação, aí a situação se complica muito mais do ponto de vista de atração de investimentos”, comentou a jornalista.

Crise

Para Denise Campos de Toledo, boa parte da atual crise brasileira foi fabricada. “A inflação veio daquelas medidas que tentaram controlar artificialmente os preços. Aí veio o tarifaço, que aumentou o custo das empresas. Essa elevação de custo fez com que as companhias trabalhassem com preços mais altos, mesmo num ambiente de desaceleração do consumo”, frisou.

De acordo com ela, o governo federal vai ter de lidar com uma situação muito difícil, porque a economia deve continuar em recessão no ano que vem, e sem poder contar com elevação de receitas. “A menos que aumente imposto, alíquota ou traga de volta a CPFM (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Pode haver até alguma surpresa politica no caminho, mas nas condições atuais a contribuição não passa no Congresso”, destacou.

No intuito de diminuir o agravamento da crise, Denise defendeu que o foco deve estar voltado para o ajuste fiscal. “É fundamental que o governo consiga um novo caminho, que talvez não dependa tanto da CPFM, mas que consiga viabilizar alguma meta confiável de superávit das contas públicas”, salientou.

Perspectivas

A exportação brasileira e as concessões de infraestrutura são hoje as duas brechas de oportunidades que o Brasil tem para tentar garantir uma atividade melhor, mesmo diante de um cenário confuso. “Se as empresas conseguirem exportar mais aproveitando o dólar, a gente cria inclusive uma condição melhor de competitividade”, afirmou.

Denise Campos de Toledo finalizou a palestra ressaltando que o Brasil está perdendo investimentos e isso está diretamente ligado à perda de credibilidade. “Dilma está com índice de popularidade muito baixo e isso deixa qualquer governo muito frágil”, finalizou.