Recuperar uma região que já foi a joia da cidade deve ser compromisso coletivo e as ações nesse sentido apoiadas por todos

Ele já foi a joia da cidade. Houve tempos em que o centro de São Paulo era o lugar onde as ideias circulavam e a informação se concentrava. Chapéus, luvas e trajes elegantes desfilavam pelas ruas. As pessoas queriam ali residir. Empresas, bancos, comércio e atividades culturais – portanto, empregos – dominavam o cenário.

Para resgatar tudo isso, o centro é hoje objeto de consistentes programas públicos que, em parceria com o setor privado, podem resgatá-lo. A Prefeitura de São Paulo instituiu a Área de Intervenção Urbana (AIU) do Setor Central e o programa Requalifica Centro, que estabelece incentivos fiscais e edilícios para estimular a requalificação (retrofit) de prédios antigos. O governo estadual, por sua vez, planeja reinstalar sua sede administrativa na região, o que transformará totalmente o perímetro, gerando uma onda de impactos positivos.

Este é um movimento não apenas necessário, mas inteligente para que deixemos de desperdiçar um território da cidade que tem 100% de saneamento básico e de iluminação – com fiação subterrânea em avenidas –, transporte, parques, teatros, escolas, galerias, museus, restaurantes, hotéis, lojas, shopping centers, enfim, tudo o que há de bom para ser aproveitado. Isso sem falar no maravilhoso patrimônio histórico, artístico e arquitetônico ali instalado, o qual não pode ser ignorado. Dar as costas a ele seria dar as costas para nossa própria história.

Existe uma agenda positiva em andamento. A melhor forma de requalificar um espaço é colocar pessoas morando formalmente ali. Como paulistanos, temos de assumir essa agenda. Quando uma sociedade se posiciona com força e assertividade, as coisas acontecem.

 

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