Coluna Secovi

Mercado imobiliário adota novos comportamentos

Guilherme de Lucca

De toda crise, empreendedores e profissionais setor do imobiliário tiram lições. Um aprendizado que costuma ser doloroso e, ao mesmo tempo, inspirador. Surgem soluções criativas, com as quais as empresas garantem mais que uma sobrevida, mas a perspectiva de manter e ampliar suas atividades, adicionando em maior dose aos respectivos planejamentos estratégicos dois ingredientes básicos: inovação e precaução.

Nos últimos anos, o Brasil enfrentou sua pior crise. Além da drástica desaceleração econômica (que resultou no desemprego de 14 milhões de brasileiros), tivemos dificuldades adicionais relacionadas ao setor imobiliário.

Na capital paulista, diretrizes urbanas restritivas, contrapartidas absurdas e outorgas onerosas proibitivas travaram as atividades. Em âmbito nacional, a onda de distratos desequilibrou profundamente a cadeia imobiliária: o incorporador, o construtor, a empresa vendedora e até mesmo os compradores do mesmo empreendimento - provocado em parte por especuladores -, adquirentes que não obtiveram a aprovação de financiamento e até mesmo produtos inadequados.

Hoje, a situação é diferente. Assim como a economia, o mercado imobiliário também mostra reação, inclusive em razão da queda da taxa de juros, que reinsere a aquisição do imóvel no escopo de investidores e compradores.

Na cidade de São Paulo, a Pesquisa Secovi registra que, de janeiro a agosto deste ano, as vendas e lançamentos de unidades residenciais cresceram, respectivamente, 20,8% e 11,7% em comparação com igual período de 2017. Levantamento do Google informa que, no Brasil, as buscas na internet por compra, venda ou aluguel de unidades cresceram 44% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo espaço de tempo do ano passado.

São boas notícias. A tendência é de melhoria gradual, ainda que tenhamos pela frente alguns obstáculos condicionados a fatores fora do alcance dos cidadãos. Dependem da economia, das reformas, da política.

Todavia, já é nítido que o mercado e seus clientes estão adotando novas atitudes. O empreendedor readequou seu produto à necessidade do comprador, estabelecendo com ele um enlace, baseado na confiança mútua e na construção de uma relação sólida e duradoura.

Ao analisarmos as vendas de imóveis no interior do Estado de São Paulo, veremos que o desempenho foi melhor, conforme revela matéria publicada na Revista Secovi, nº 279. A que se deve esse fato? A comportamentos. Quem vende quer saber quem está comprando. Quem compra quer saber quem está vendendo. Existe maior proximidade. O adquirente quer um lugar para viver (seja morando ou trabalhando), e o investidor pensa da mesma forma. Há um diferenciado respeito ao valor do bem, o qual não se mede em cifrões.

De maneira positiva, os negócios imobiliários estão e serão cada vez mais cautelosos. O impulso e a especulação deram lugar à ponderação. Isso reduz os riscos de devolução de unidades, frustração do comprador e complicações para o agente financeiro.

Ainda que tais comportamentos possam tornar a retomada do setor um pouco mais lenta, isso significará um mercado mais sustentável no longo prazo, gerando emprego, renda e impostos de maneira perene.

*Guilherme Cardoso de Lucca é vice-presidente de Gestão Administrativa do Secovi-SP

15 de novembro de 2017

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